Presidente da CITI chama proposta de tarifa dos EUA por trabalho forçado de 'séria ameaça' às exportações têxteis indianas de 11 bilhões de dólares
A Confederação da Indústria Têxtil da Índia rejeitou como "completamente falsas" as acusações dos EUA de trabalho forçado e alertou que uma tarifa proposta ameaça as remessas têxteis indianas. A Índia exportou 36 bilhões de dólares em têxteis e vestuário no ano passado, dos quais cerca de 11 bilhões foram para os EUA.
A Confederação da Indústria Têxtil da Índia (CITI) descreveu uma tarifa proposta pelos Estados Unidos sobre bens ligados ao trabalho forçado como uma "séria ameaça" ao setor têxtil e de vestuário do país, ao mesmo tempo em que rejeitou as acusações de base como "completamente falsas" e "injustas". As declarações foram feitas pelo presidente da CITI, Ashwin Chandran, em entrevista à ANI em Coimbatore, segundo o Apparel Views e o The Tribune.
De acordo com ambas as publicações, os Estados Unidos propuseram novas tarifas a 60 países pela exportação de bens produzidos com trabalho forçado, entre eles a Índia, que não tem um acordo comercial recíproco com Washington.
Os EUA são o maior mercado têxtil da Índia
Chandran ressaltou o quanto está em jogo. A Índia exportou 36 bilhões de dólares em têxteis e vestuário no ano passado, e cerca de 11 bilhões — aproximadamente 40 por cento — foram para os Estados Unidos, que ele chamou de maior parceiro comercial do país e principal destino de exportação do setor.
"Esta é uma séria ameaça para a indústria têxtil e de vestuário da Índia", disse ele, acrescentando que o setor está "combatendo essas acusações" e "contestando essa investigação". Qualquer tarifa adicional, argumentou, atingiria diretamente fabricantes e exportadores. "Seja a tarifa de 10, 12, 13, 14, 15 ou 20 por cento, qualquer tarifa certamente prejudicará as exportações têxteis indianas e as empresas têxteis indianas sofrerão perdas", afirmou.
Pedidos sazonais e descontos
Chandran alertou que o dano pode durar mais do que qualquer decisão tarifária isolada, porque o têxtil é uma indústria sazonal. "Uma vez que se perdem clientes, é muito difícil recuperá-los em pouco tempo", disse. Perder pedidos de uma temporada significaria perder três ou quatro meses de negócios, com a produção gravemente afetada.
Para reter compradores, os exportadores já estão reduzindo preços. Segundo Chandran, várias empresas ofereceram descontos entre 15 e 25 por cento para manter seus clientes.
Acusações de trabalho forçado rejeitadas
Chandran negou com firmeza as acusações de trabalho forçado, chamando-as de "completamente injustas, completamente falsas". Ele disse que reformas trabalhistas e iniciativas de conscientização melhoraram significativamente as práticas, e que no setor organizado já não há casos de trabalho infantil ou de trabalho em servidão. Acrescentou que marcas e varejistas globais realizam auditorias rigorosas de seus fornecedores com regularidade.
Questionado sobre a diversificação, Chandran reconheceu que o setor continua "dependente dos EUA e da UE" e busca novos mercados. Ele afirmou que acordos comerciais como o CEPA com Omã e os arranjos com a Nova Zelândia são benéficos para esse esforço.
O que isso significa para os fluxos comerciais
Para importadores e exportadores, a exposição imediata concentra-se nos cerca de 11 bilhões de dólares de têxteis e vestuário indianos que seguem para o mercado dos EUA a cada ano. Uma tarifa na faixa de 10 a 20 por cento elevaria os custos de importação para os compradores americanos e pressionaria os fornecedores indianos, que já oferecem descontos de 15 a 25 por cento. Dada a dependência do setor em relação aos EUA e à UE, a diversificação rumo a Omã, Nova Zelândia e outros mercados é apresentada como proteção contra a medida proposta.