China multiplica por sete compras de trigo russo entre janeiro e agosto de 2026
A China importou US$ 17,6 milhões em trigo russo entre janeiro e agosto de 2026, sete vezes o valor de um ano antes. Os embarques de cevada mais que dobraram para US$ 112,3 milhões, enquanto as vendas de milho cresceram 1,4 vez, para US$ 95,9 milhões.
Compras de trigo crescem sete vezes
A China aumentou fortemente as compras de grãos russos nos primeiros oito meses de 2026, elevando o valor do comércio de trigo, cevada e milho. Segundo a Market Power, as importações chinesas de trigo russo chegaram a US$ 17,6 milhões entre janeiro e agosto, sete vezes o nível registrado no mesmo período de 2025.
O avanço percentual foi expressivo, embora o trigo tenha permanecido como o menor dos três fluxos em valor. Os embarques de cevada russa para a China mais que dobraram, para US$ 112,3 milhões, tornando o produto a maior categoria nos dados publicados. As vendas de milho russo cresceram 1,4 vez, para US$ 95,9 milhões.
Os números descrevem o comércio em termos monetários, mas não informam os volumes físicos embarcados nem os preços médios. Assim, não é possível separar quanto do aumento veio de maiores quantidades e quanto resultou da mudança nos valores unitários. Ainda assim, os dados mostram que a China gastou mais com os três grãos russos no período.
Rússia avança entre os fornecedores da China
A Rússia ficou em quinto lugar entre os fornecedores de trigo da China, atrás de Canadá, Austrália, Estados Unidos e Argentina, informou a Market Power. Em cevada, ocupou a quarta posição e, em milho, a terceira. O país consolidou presença em diferentes segmentos do mercado chinês de grãos, mas ainda não lidera nenhuma das três categorias.
Os embarques de agosto mantiveram a mesma ordem por valor. A Rússia forneceu à China US$ 4,6 milhões em trigo no mês, ante US$ 15,7 milhões em cevada e US$ 9,1 milhões em milho. Agosto respondeu sozinho por mais de um quarto do valor acumulado do trigo entre janeiro e agosto, enquanto sua participação nos totais de cevada e milho foi menor.
Para produtores e operadores russos, os números indicam a ampliação de um canal de vendas para a China que inclui grãos para ração e trigo para moagem. Para os compradores chineses, a Rússia representa uma origem adicional aos fornecedores tradicionais da América do Norte, América do Sul e Austrália. Os dados originais não detalham a qualidade dos grãos, o destino dentro da China, as condições contratuais nem as empresas envolvidas.
Acesso ao mercado continua restrito
A variedade de grãos autorizada para embarque permanece como uma limitação importante. A China permite atualmente apenas a importação de trigo de primavera e cevada de primavera da Rússia, segundo a Market Power. As variedades de inverno não estão incluídas nas regras de acesso vigentes.
Especialistas russos do setor citados pela publicação consideram que o trigo e a cevada de inverno têm o maior potencial de exportação. O lado russo busca autorização para fornecer esses grãos ao mercado chinês. Não foram informados um prazo para a decisão nem detalhes do processo regulatório.
A ampliação do acesso poderia aumentar o número de regiões e produtores russos aptos a atender compradores chineses, mas o efeito comercial dependeria da aprovação e da posterior contratação. Até lá, o crescimento terá de vir das categorias e variedades já autorizadas. Os resultados de janeiro a agosto mostram rápida expansão sobre a base do ano anterior, enquanto os valores absolutos e as posições entre fornecedores indicam que a concorrência de outras origens continua relevante.