China amplia gastos com petróleo e gás russos enquanto receita do carvão recua
A China aumentou as compras de petróleo bruto russo em 16,7%, para 57,28 milhões de toneladas, entre janeiro e junho de 2026, enquanto o valor subiu 31,1%, para US$ 33,13 bilhões. O GNL e o gás por gasoduto também geraram mais receita, mas o faturamento conjunto do carvão caiu 7%, para US$ 3,79 bilhões.
Volume de petróleo cresce 16,7%
A China importou 57,28 milhões de toneladas de petróleo bruto russo entre janeiro e junho de 2026, alta de 16,7% sobre o mesmo período de 2025, informou a Pravda.ru com base em dados da Administração Geral das Alfândegas da China. O valor das compras aumentou 31,1%, para US$ 33,13 bilhões. No primeiro semestre de 2025, os embarques somaram 49,11 milhões de toneladas, avaliadas em US$ 25,27 bilhões.
O crescimento mais rápido do valor em comparação com o volume físico indica que o preço médio pago pelo petróleo russo ficou acima do registrado um ano antes. Pelos totais divulgados, a China comprou 8,17 milhões de toneladas adicionais e gastou US$ 7,86 bilhões a mais. Os números reforçam a importância do mercado chinês para a receita de exportação dos produtores russos, embora o efeito final sobre as empresas e o orçamento federal também dependa dos preços globais, do cálculo dos tributos e das moedas usadas nos pagamentos.
Infraestrutura sustenta abastecimento das refinarias
As exportações russas para a China utilizam diversas rotas consolidadas, entre elas o oleoduto Sibéria Oriental–Oceano Pacífico, portos do Extremo Oriente e o terminal de Kozmino. Segundo o centro de análise InfoTEK, preços competitivos, logística confiável e interrupções no fornecimento de países do golfo Pérsico transformaram o petróleo russo em uma fonte básica e previsível para as refinarias chinesas. Os tipos ESPO e Urals já são conhecidos pelos processadores chineses e oferecem uma economia de refino aceitável.
O analista do mercado de derivados Gennady Chernov afirmou que a estabilidade da qualidade e a confiabilidade logística continuam prioritárias para as refinarias chinesas, pois permitem programar a utilização das unidades sem paralisações nem perda de margem. Isso favorece fornecedores capazes de manter fluxos regulares e especificações constantes. Para produtores e traders russos, a combinação de capacidade marítima e por oleoduto reduz a dependência de uma única rota, enquanto as refinarias chinesas ganham flexibilidade para distribuir as entregas entre diferentes unidades.
Gás avança enquanto carvão perde força
As importações chinesas de gás natural liquefeito russo cresceram 27,8% em volume, para 3,59 milhões de toneladas. O valor, porém, aumentou apenas 8,2%, para US$ 1,81 bilhão, indicando queda no preço contratual médio. As entregas russas de gás por gasoduto atingiram US$ 4,65 bilhões em valor, embora a alfândega chinesa não tenha divulgado o volume físico. Petróleo e gás apresentaram, portanto, padrões de preços distintos: a receita do petróleo bruto cresceu mais rapidamente que a tonelagem, enquanto o volume de GNL avançou mais que os gastos.
O carvão seguiu a direção oposta. O valor dos embarques de carvão térmico russo para a China caiu 2,7%, para US$ 3,72 bilhões, e a receita do linhito despencou 70,1%, para US$ 78 milhões. A receita conjunta do carvão recuou 7%, para US$ 3,79 bilhões. A divergência mostra que o aumento das receitas de petróleo e gás compensa a fraqueza do carvão, em vez de representar uma expansão uniforme de todas as exportações russas de energia. O macroeconomista Artem Loginov afirmou que o aumento da receita em yuans e rublos pode reduzir os riscos cambiais das empresas russas e a dependência do orçamento em relação às oscilações do dólar. O efeito fiscal final continuará condicionado aos preços globais e à tributação interna, incluindo impostos sobre extração, renda adicional e produtos específicos.