China amplia acesso para miúdos suínos do Brasil
Brasil e China assinaram um protocolo sanitário que amplia o acesso de miúdos suínos, incluindo fígado, coração e esôfago. O acordo foi concluído após uma auditoria chinesa no sistema brasileiro de controle de produtos de origem animal.
Protocolo amplia a lista de produtos autorizados
A China abriu seu mercado para novos miúdos suínos do Brasil após os dois países assinarem um protocolo sanitário que contempla itens como fígado, coração e esôfago. Segundo a Globo Rural, o Brasil já estava autorizado a fornecer miúdos suínos externos ao mercado chinês, enquanto o novo acordo amplia o acesso para outros órgãos gerados pela indústria brasileira de processamento de carne suína.
A abertura ocorreu após as autoridades sanitárias chinesas concluírem uma auditoria no sistema brasileiro de produção e controle oficial. A avaliação verificou se os procedimentos de inspeção, rastreabilidade e controle de doenças atendiam às exigências chinesas de importação. O protocolo cria a base sanitária para o comércio, mas cada unidade ainda precisará cumprir os requisitos aplicáveis de registro, certificação e produto.
O acordo dá continuidade às negociações realizadas em Pequim em maio de 2026. Na ocasião, o Ministério da Agricultura e Pecuária, Mapa, e a Administração-Geral das Alfândegas da China, GACC, confirmaram os termos técnicos de um protocolo revisado para carne suína e subprodutos brasileiros. O Mapa informou então que orientaria as empresas sobre os preparativos técnicos necessários após a formalização, enquanto a GACC daria sequência aos seus procedimentos internos.
Canal de maior valor para os frigoríficos
A relevância comercial vai além de um possível aumento de volume. Órgãos com demanda limitada ou preços mais baixos no Brasil podem alcançar maior valor na China, onde os miúdos suínos formam uma categoria alimentar consolidada. O acesso oferece aos frigoríficos outro destino para cada animal processado e pode melhorar o aproveitamento da carcaça sem exigir uma expansão equivalente da produção de carne suína.
A China já mantém um mercado expressivo de miúdos importados. Um relatório do Mapa, baseado em estatísticas da GACC, informou que o país importou US$ 2,464 bilhões em miúdos suínos comestíveis entre janeiro e novembro de 2024. A Espanha forneceu US$ 517,976 milhões; os Países Baixos, US$ 231,982 milhões; a Dinamarca, US$ 208,012 milhões; e a França, US$ 162,852 milhões. O Brasil respondeu por US$ 70,774 milhões, demonstrando presença comercial e espaço para ampliar o portfólio.
A autorização não significa que todos os frigoríficos brasileiros poderão iniciar vendas imediatamente. Os estabelecimentos exportadores deverão atender às condições aceitas pelas autoridades chinesas, e os embarques precisarão da certificação sanitária correspondente. A habilitação das plantas, as listas de produtos aprovados e o ritmo dos procedimentos administrativos chineses definirão a velocidade do avanço comercial.
China permanece central para o agronegócio brasileiro
O protocolo para miúdos integra uma relação sanitária e comercial mais ampla. Segundo o Mapa, a China importou US$ 51,4 bilhões em produtos agropecuários brasileiros em 2025, o equivalente a cerca de 50% de todo o comércio entre os dois países. Com essa escala, mudanças de acesso para cortes secundários e subprodutos também ganham relevância comercial.
Para os processadores brasileiros, a oportunidade imediata é separar, processar e certificar novos órgãos para um mercado que já os importa em grande escala. Os compradores chineses passam a contar com mais uma origem autorizada além dos grandes fornecedores europeus. O ganho efetivo dependerá das habilitações, dos custos de conformidade, da logística e dos preços disponíveis no Brasil e em outros mercados de exportação.