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Concessão tarifária chinesa abre espaço para 200.000 toneladas de soja sul-africana

Uma trading sul-africana pretende embarcar 200.000 toneladas de soja para a China em novembro, após Pequim suspender temporariamente a tarifa de importação de 3%. O frete mais barato deu vantagem à carga perante a oferta brasileira e argentina, mas a alta dos preços internos pode limitar novos negócios.

Concessão tarifária chinesa abre espaço para 200.000 toneladas de soja sul-africana

África do Sul fecha embarque recorde

Uma trading sul-africana de grãos e oleaginosas fechou um acordo para embarcar 200.000 toneladas de soja à China em novembro. Será a maior carga individual de soja da África do Sul já destinada ao mercado chinês. Segundo a Farmer’s Weekly, o volume supera em 36% tudo o que o país enviou à China três anos antes.

A carga partirá de Durban e representará a primeira exportação sul-africana de soja para a China desde 2023. Naquele ano, três embarques separados somaram 147.000 toneladas. A Associação Sul-Africana de Comércio de Cereais e Oleaginosas, SACOTA, informou que o vendedor prefere permanecer anônimo por razões estratégicas.

O negócio foi concluído apesar de um cenário inicialmente apertado para a oferta. Chuvas tardias atrasaram a colheita no Estado Livre e em Mpumalanga, principais regiões produtoras do país. Processadores locais disputavam os volumes disponíveis, enquanto o milho amarelo costuma receber prioridade nos terminais de exportação de Durban, o que pode restringir a capacidade destinada à soja.

Tarifa zero muda a conta

Em 1º de maio, a China estendeu temporariamente o acesso com tarifa zero a outros 20 países africanos, incluindo a África do Sul. O regime vigorará até 30 de abril de 2028 e sucede a isenção concedida a 33 países africanos menos desenvolvidos no fim de 2024. Antes da mudança, a soja sul-africana pagava uma tarifa chinesa de importação de 3%.

A SACOTA calculou que a retirada da tarifa reduziu o custo de importação em cerca de 15 dólares por tonelada, equivalentes a aproximadamente 242 rands por tonelada. O frete da África do Sul para a China já era de 12 a 15 dólares por tonelada mais barato do que o transporte a partir da América do Sul. Os dois fatores tornaram a soja sul-africana competitiva frente às ofertas do Brasil e da Argentina aos preços vigentes.

André van der Vyver, diretor executivo da SACOTA, disse à Farmer’s Weekly que nenhum fator isolado garantiu a operação. A concessão tarifária contribuiu, mas a trading provavelmente havia protegido os preços e acumulado estoques durante várias semanas. Posteriormente, previsões de formação de um super-El Niño levaram investidores e especuladores a comprar commodities agrícolas. Os preços sul-africanos dos grãos e das oleaginosas subiram, reduzindo a atratividade de novos embarques de soja.

Participação pequena, oportunidade mais ampla

As 200.000 toneladas são modestas diante dos cerca de 115 milhões de toneladas de soja importados anualmente pela China. O embarque não mudará de imediato o domínio de grandes fornecedores como Brasil e Argentina. Para a África do Sul, porém, uma operação desse porte pode favorecer pedidos recorrentes, gerar ganhos de escala e manter silos, terminais e operadores logísticos familiarizados com as exigências chinesas.

O acesso ao mercado também exige o registro anual dos silos de origem, terminais exportadores e tradings. A soja precisa ser testada para determinadas doenças vegetais, e os documentos devem ser apresentados às autoridades chinesas conforme um protocolo bilateral. A SACOTA administra o processo para o setor em cooperação com a Diretoria de Saúde Vegetal da África do Sul.

A SACOTA espera que as exportações sul-africanas de soja alcancem 510.000 toneladas na temporada atual, incluindo a carga chinesa. Os embarques marítimos para Indonésia e Malásia e as vendas terrestres para Zimbábue e Essuatíni devem continuar. Esse seria o segundo maior resultado exportador do país, atrás do recorde de 590.000 toneladas registrado em 2023. Novos acordos com a China dependerão dos preços internos e das expectativas climáticas, mas o embarque de novembro já estabelece uma rota comercial para o maior mercado importador mundial.

Análise completa do mercado

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