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Última refinaria de beterraba do Chile recebe a safra nacional final

A unidade da Iansa em Cocharcas recebeu a última entrega de beterraba-açucareira chilena, encerrando a produção nacional de açúcar a partir da cultura. A fábrica passará a refinar açúcar bruto importado, enquanto cerca de 300 produtores e a cadeia agrícola regional precisarão se adaptar.

Última refinaria de beterraba do Chile recebe a safra nacional final

Última entrega encerra um ciclo de 73 anos

A fábrica da Iansa em Cocharcas recebeu a última entrega de beterraba-açucareira cultivada no Chile, encerrando a produção nacional de açúcar a partir dessa matéria-prima. A unidade de San Carlos, na região de Ñuble, era a última refinaria do país que ainda comprava a cultura. Segundo o La Discusión, a recepção final fecha uma etapa iniciada com a criação da Iansa em 1953 e a inauguração da planta de Cocharcas em 1967.

A decisão sucede duas décadas de fechamento de fábricas e redução do plantio. A área chilena de beterraba caiu de cerca de 60.000 hectares no auge para aproximadamente 7.000 hectares nos últimos anos. Segundo o Escritório de Estudos e Políticas Agrárias, Odepa, foram plantados 7.892 hectares na safra 2024-25, dos quais 4.423 hectares estavam em Ñuble.

Em 29 de abril, a Empresas Iansa informou produtores, funcionários e a comunidade que não contrataria área nem compraria beterraba para a safra 2026-27. A medida afeta diretamente cerca de 300 agricultores. O La Discusión estima que a cadeia ampliada, formada por transportadores, fornecedores, prestadores de serviços, técnicos e trabalhadores rurais, reúna aproximadamente 3.000 pessoas.

Cocharcas passa ao açúcar bruto importado

A Iansa destinará a capacidade de Cocharcas ao refino de açúcar bruto importado. A empresa abriu essa linha em 2012 com foco no açúcar de cana, que apresenta custos de produção menores. A operação ajudou a compensar a queda da área de beterraba após o fechamento da fábrica de Linares em 2018 e da unidade de Los Ángeles em 2020.

Renato Segura, economista da Universidade Técnica Federico Santa María, disse ao La Discusión que produzir um quilograma de açúcar refinado a partir de beterraba custa o dobro da mesma quantidade obtida com cana. Ele também apontou a abertura comercial, a concorrência do açúcar ou da matéria-prima importada, o poder de negociação de um comprador dominante e a expansão dos adoçantes baratos como pressões sobre a Iansa e sua cadeia.

A mudança não significa o fim do refino de açúcar em Cocharcas, mas substitui uma matéria-prima agrícola nacional por oferta importada. A atividade futura da fábrica dependerá mais diretamente do acesso ao açúcar bruto estrangeiro e da economia do processamento da cana. A partir da safra 2026-27, os produtores chilenos perderão o último comprador industrial de beterraba-açucareira do país.

Produtores perdem uma cultura que modernizou o campo

Os efeitos vão além dos hectares que deixarão de ser cultivados. Raúl Cerda, da Universidade de Concepción, afirmou que a indústria de beterraba transformou a agricultura de Ñuble por meio de mecanização, irrigação, fertilização, novas variedades, crédito e assistência técnica. Segundo Cerda, a produtividade, que antes tinha um piso de 30 toneladas por hectare, chegou a 100 toneladas ou mais.

A Iansa financiava equipamentos, fornecia suporte técnico e ajudava os produtores a adotar irrigação por aspersão e pivô, inclusive por meio dos incentivos da Lei chilena 18.450. A beterraba também integrava rotações com milho e trigo, deixando o solo bem adubado para a cultura seguinte. Seu desaparecimento obriga os agricultores a substituir não apenas uma fonte de renda, mas uma cultura que orientava investimentos, rotações e a demanda local por transporte e serviços agrícolas.

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