Malaui negocia importar trigo cazaque, que seria o primeiro mercado subsaariano
O Maláui estuda importar trigo do Cazaquistão, negócio que daria ao exportador da Ásia Central seu primeiro comprador ao sul do Saara. Em 2025 o Maláui adquiriu cerca de 73 mil toneladas de trigo por 35 milhões de dólares, com Austrália e Rússia concentrando cerca de 95%. As exportações cazaques de trigo e mistura de trigo e centeio somaram cerca de 9,03 milhões de toneladas em 2025.
O Maláui estuda importar trigo do Cazaquistão, passo que daria ao produtor da Ásia Central seu primeiro comprador na África subsaariana. Possíveis embarques foram tratados por representantes dos dois países em negociações sobre cooperação agrícola e segurança alimentar, informou a UkrAgroConsult.
As conversas ainda não resultaram em acordo assinado. Se forem concluídas, o Cazaquistão estenderá pela primeira vez seu comércio de trigo africano para além do norte do continente, onde hoje está concentrado todo o seu negócio na África.
O norte da África sustenta todo o comércio
O trigo cazaque chega à África quase exclusivamente pelos mercados do norte, e os volumes ali cresceram com força. Em 2025 o Cazaquistão embarcou ao continente cerca de 494 mil toneladas de trigo e mistura de trigo e centeio, contra apenas 7,7 mil toneladas em 2021, segundo a UkrAgroConsult. A lista de compradores é curta:
- Argélia — cerca de 321 mil toneladas
- Marrocos — 162 mil toneladas
- Egito — 12 mil toneladas
Esses três destinos absorvem praticamente todo o volume que o Cazaquistão coloca na África. É uma carteira muito concentrada para um vendedor que movimentou mais de 9 milhões de toneladas na última safra. Argélia e Marrocos compram por licitações nas quais várias origens disputam preço, de modo que uma única decisão de compra pode eliminar parte expressiva da colocação cazaque dentro de uma temporada. Diversificar, aqui, vale menos pelo crescimento e mais pela redução dessa dependência.
Maláui: volume pequeno e dois fornecedores
O Maláui importou cerca de 73 mil toneladas de trigo em 2025, ao custo de 35 milhões de dólares, o que implica média de aproximadamente 480 dólares por tonelada. A Austrália forneceu cerca de 42 mil toneladas e a Rússia 27 mil toneladas; juntas, as duas origens responderam por aproximadamente 95% das compras do país. O mercado é pequeno e firmemente dividido.
Em tonelagem o prêmio é modesto: um ano inteiro de importações do Maláui equivale a menos de meia semana de exportações cazaques no ritmo atual. O valor é de posicionamento. Uma primeira entrega estabelece aceitação de qualidade, documentação e um canal operacional de pagamento e frete numa região onde o Cazaquistão não tem histórico comercial, e um mercado atendido por apenas duas origens deixa espaço visível para uma terceira.
Exportação recorde precisa de novos endereços
As exportações cazaques de trigo e mistura de trigo e centeio alcançaram cerca de 9,03 milhões de toneladas em 2025, contra 5,7 milhões de toneladas em 2021, com alta superior a 50% em um ano, informou a UkrAgroConsult. Interrupções no abastecimento da região do mar Negro reforçaram a procura pelo grão cazaque e aguçaram o interesse por destinos que o país nunca atendeu.
Volume desse tamanho precisa ser escoado em algum lugar. Os compradores vizinhos da Ásia Central têm capacidade limitada de absorver mais, e as licitações norte-africanas estão disputadas e decididas por preço. Mercados menores e menos concorridos passam a justificar o custo administrativo mesmo com cargas modestas, porque cada um acrescenta uma saída que não depende de uma única licitação anual.
O frete decidirá o resultado
Cazaquistão e Maláui não têm saída para o mar, portanto os custos de transporte, e não a demanda, definirão se o trigo cazaque consegue deslocar o australiano ou o russo já instalados. O grão precisa chegar a um porto marítimo, cruzar um oceano e voltar a percorrer o interior antes de entrar num moinho malauiano, enquanto os fornecedores atuais têm rotas em operação e defendem uma referência de cerca de 480 dólares por tonelada entregue. Com valor total de importação de 35 milhões de dólares, a margem para custo logístico adicional é estreita. Até que as conversas se convertam em contrato, o alcance cazaque na África subsaariana permanece uma possibilidade.