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Cazaquistão procura ampliar vendas de trigo em África através de Marrocos

O Cazaquistão e Marrocos estão a reforçar ligações logísticas e empresariais para aumentar as vendas de trigo cazaque em Marrocos e noutros mercados africanos. Um acordo para 300.000 toneladas e uma primeira carga de 60.000 toneladas constituem o primeiro teste comercial.

Cazaquistão procura ampliar vendas de trigo em África através de Marrocos

Marrocos assume papel de porta cerealífera para África

O Cazaquistão pretende utilizar Marrocos como plataforma logística e comercial para ampliar as vendas de trigo em África. Os governos e as comunidades empresariais dos dois países trabalham em ligações mais diretas entre a Ásia Central, o Norte de África e a África Ocidental. A estratégia dá ao Cazaquistão acesso a uma das principais regiões importadoras de trigo do mundo e oferece a Marrocos mais uma origem de abastecimento.

A SNRT News informou que os dois países analisaram a criação de um centro logístico em Marrocos para facilitar as exportações de trigo cazaque para outros países africanos. A proposta integrou um roteiro bilateral acordado durante a primeira visita oficial a Marrocos do ministro dos Negócios Estrangeiros do Cazaquistão, Murat Nurtleu, em 28 de fevereiro de 2025. Os governos também decidiram criar uma comissão mista, promover um Conselho Empresarial Marrocos-Cazaquistão e melhorar a conectividade logística.

Primeira carga testa uma cadeia longa

A iniciativa cerealífera já ultrapassou a fase diplomática. Segundo o Médias24, em fevereiro de 2025 foi assinado um acordo para exportar 300.000 toneladas de trigo cazaque para Marrocos. Uma primeira carga de 60.000 toneladas foi enviada em maio através do porto letão de Liepāja, indicou a publicação, citando o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Cazaquistão.

A rota evidencia tanto a oportunidade como o principal obstáculo para os fornecedores cazaques. O Cazaquistão dispõe de cereal exportável, mas chegar aos mercados atlânticos exige uma longa cadeia multimodal e acesso a portos estrangeiros. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos informou que os subsídios ao transporte ajudaram o país a aumentar os embarques para destinos menos tradicionais, incluindo Marrocos, na campanha 2024/25. O organismo estimou as exportações em 10,0 milhões de toneladas, o segundo maior volume registado, apoiado por uma colheita abundante e preços competitivos.

Conselho empresarial promove comércio direto

A primeira sessão do Conselho Empresarial Marrocos-Cazaquistão realizou-se em Casablanca em 21 de julho de 2026. O Médias24 informou que os participantes discutiram a combinação da infraestrutura portuária marroquina com os corredores de transporte cazaques para facilitar os fluxos entre a Ásia Central, a África Ocidental e a Europa. Agricultura, segurança alimentar, fertilizantes, transporte e logística estavam entre os setores prioritários.

A relação comercial está a crescer, mas continua muito desequilibrada. O comércio bilateral aumentou 68% em 2025, de 274,4 milhões de dólares para 461,5 milhões de dólares, segundo dados do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Cazaquistão citados pelo Médias24. As exportações cazaques para Marrocos atingiram 434 milhões de dólares, enquanto as compras de produtos marroquinos somaram 27,5 milhões de dólares. O enxofre representou 90,5% das vendas cazaques, acompanhado por produtos como o trigo.

Custos determinarão a expansão regional

Os portos marroquinos e as relações comerciais do país com mercados africanos podem oferecer aos operadores cazaques uma plataforma que ultrapasse uma única venda bilateral. A competitividade do modelo dependerá, contudo, dos fretes, da capacidade de movimentação, dos prazos de entrega e da organização de volumes regulares. O trigo cazaque terá de competir com cereais transportados por rotas mais curtas ou consolidadas.

O acordo para 300.000 toneladas é, portanto, um teste operacional além de um contrato comercial. Se os volumes restantes forem entregues com regularidade e as ligações diretas reduzirem os custos de intermediação, Marrocos poderá ajudar o Cazaquistão a diversificar-se para além dos compradores regionais tradicionais. Para os moinhos e importadores marroquinos, a iniciativa acrescenta uma origem possível sem substituir imediatamente os fornecedores atuais.

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