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Carvão térmico russo em Vostochny atinge maior preço desde o fim de 2023

O carvão térmico russo de 5.500 kcal/kg subiu 6,1% em Vostochny na semana encerrada em 11 de setembro, para 106,10 dólares por tonelada FOB. Problemas logísticos, concorrentes mais caros, alta do GNL e menor produção chinesa sustentaram o mercado.

Carvão térmico russo em Vostochny atinge maior preço desde o fim de 2023

Referência de Vostochny sobe 6,1% em uma semana

O preço do carvão térmico russo com poder calorífico de 5.500 kcal/kg no porto de Vostochny aumentou 6,1% na semana encerrada em 11 de setembro, para 106,10 dólares por tonelada FOB. Foi o maior nível desde o fim de 2023, informou o Vedomosti, citando o Kommersant e dados da NEFT Research.

A referência acumula alta de 47,3% desde o início de 2026 e de 57,5% em relação a setembro de 2025. O movimento representa uma recuperação expressiva de um indicador importante para a rentabilidade das exportações russas de carvão destinadas à região da Ásia-Pacífico.

O preço FOB inclui o carvão e seu carregamento no porto de exportação, mas não o transporte marítimo até o destino. A alta aumenta o valor da carga no porto, embora o resultado final de produtores e traders continue dependendo do acesso ferroviário, dos custos de movimentação, dos fretes e dos descontos exigidos em cada mercado.

Logística e energia cara apertam o mercado

O Vedomosti apontou os problemas logísticos e os preços elevados do carvão concorrente como principais motivos da valorização. Os preços na Indonésia superaram os picos de maio de 2023, enquanto o carvão sul-africano se aproxima dos níveis máximos do outono de 2023. O encarecimento dessas origens permite aos fornecedores russos elevar suas ofertas sem perder competitividade imediatamente.

O mercado também recebe apoio da alta do gás natural liquefeito causada pelo conflito no Oriente Médio. Um GNL mais caro melhora a competitividade relativa da geração a carvão onde as usinas mantêm capacidade técnica e autorização regulatória para substituir combustíveis.

O frete permanece uma variável decisiva. Uma referência FOB mais alta não garante aumento equivalente no preço entregue ou na margem do produtor. Distância, disponibilidade de navios e congestionamento portuário podem alterar a posição das cargas russas, indonésias e sul-africanas nos mercados asiáticos e europeus.

China e Europa reforçam os sinais de demanda

O analista do Alfa-Bank Boris Krasnozhenov afirmou que a geração a carvão aumentou na Europa, enquanto a oferta chinesa ainda não se recuperou. A produção de carvão da China caiu 7,7% em agosto ante o mesmo mês do ano anterior, limitando a disponibilidade doméstica no maior mercado mundial e sustentando os preços regionais.

A demanda europeia também aparece nos fluxos do Cazaquistão. O Vedomosti, citando uma análise da Argus, informou que o país elevou em 20% suas exportações de carvão em trânsito pela Rússia entre janeiro e julho de 2026, para 7,8 milhões de toneladas. Foi um recorde para o período. A maior parte segue para a União Europeia, com Polônia e Países Baixos como principais compradores. A Turquia também é uma grande importadora.

Maksim Shaposhnikov, assessor da gestora Industrial Code, relacionou a forte demanda por carvão cazaque na União Europeia e na Turquia, além do aumento do trânsito pela Rússia, à forte alta dos preços do gás europeu. Ao lado da oferta limitada na China e do carvão concorrente mais caro, essa demanda cria condições favoráveis para a referência de Vostochny. A duração da recuperação dependerá da normalização logística, de uma retomada da produção chinesa e do comportamento dos preços do GNL e do gás.

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