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Carvão chega a US$ 151,05 por tonelada com menor oferta indonésia e recuo da Rússia

O preço de referência do carvão subiu 1% para US$ 151,05 por tonelada em 5 de outubro e acumulou alta de 3,2% em quatro sessões. A queda das exportações indonésias e o aumento da geração a carvão sustentam o mercado, enquanto custos logísticos e tarifas chinesas prejudicam fornecedores russos.

Carvão chega a US$ 151,05 por tonelada com menor oferta indonésia e recuo da Rússia

Referência avança pela quarta sessão consecutiva

O preço de referência do carvão encerrou a segunda-feira, 5 de outubro, em US$ 151,05 por tonelada, com alta de 1%, segundo a CNBC Indonesia, que citou dados da Refinitiv. O ganho acumulado em quatro sessões consecutivas chegou a 3,2%. Foi o maior fechamento desde 8 de setembro, próximo de uma máxima mensal.

A menor oferta da Indonésia, maior exportadora mundial de carvão térmico, é uma das causas do avanço. As exportações indonésias de carvão recuaram 9,3% em relação ao ano anterior, para 227,7 milhões de toneladas, entre janeiro e agosto de 2026. A CNBC Indonesia atribuiu a queda às cotas governamentais de produção, à incerteza regulatória e às interrupções nos embarques associadas a um forte episódio de El Niño.

Problemas no gás elevam a demanda por carvão

A demanda mundial por carvão deve atingir um recorde em 2026, depois que interrupções no fornecimento de gás relacionadas ao conflito no Oriente Médio elevaram o custo do gás natural liquefeito. Segundo a Agência Internacional de Energia, a alta do GNL causada pelos problemas de navegação no estreito de Ormuz levou China, Índia, Japão, Coreia do Sul e partes da Europa a ampliar a geração de energia a carvão.

O mercado chinês de carvão térmico também se fortaleceu. A recomposição de estoques continua, embora limitada, enquanto vendedores retêm produto diante da expectativa de oferta apertada após o período de feriados. A produção das minas deve se recuperar gradualmente, restringindo o volume adicional que chegará aos portos do norte da China.

Dados da Sxcoal citados pela CNBC Indonesia mostraram o carvão australiano de 5.500 kcal/kg ofertado por cerca de US$ 110 por tonelada FOB, enquanto o carvão indonésio de 3.800 kcal/kg era oferecido por aproximadamente US$ 77–US$ 78 por tonelada FOB. Vendedores indonésios demonstravam resistência crescente em liberar volumes disponíveis. O índice CCI do carvão indonésio de 3.800 kcal/kg subiu US$ 0,5, para US$ 76,5 por tonelada FOB e US$ 88,5 por tonelada CFR China. O carvão australiano de 5.500 kcal/kg também avançou US$ 0,5, para US$ 130,5 por tonelada CFR China.

Fornecedores russos enfrentam desvantagem de custos

As exportações russas seguem na direção oposta, apesar da valorização no mercado internacional. Os embarques de carvão russo para a China caíram 10,8% em relação ao ano anterior, para 53,15 milhões de toneladas, entre janeiro e agosto de 2026. A China importou 310 milhões de toneladas no total durante o período, incluindo 78,39 milhões da Mongólia e 121 milhões da Indonésia. Com isso, a Rússia deixou o grupo dos principais fornecedores indicado no relatório.

O carvão da Mongólia se beneficia de custos menores no transporte terrestre e de isenção da tarifa de importação chinesa. O produto da Mongólia, da Austrália e da Indonésia entra com tarifa zero por meio de acordos comerciais, enquanto o carvão russo paga uma alíquota de 3%–6% na China. Empresas russas teriam oferecido descontos de aproximadamente 10%, mas reduções adicionais poderiam tornar as exportações inviáveis.

A logística amplia a pressão. O custo de transportar carvão do porto de Vostochny para a China aumentou 45,5% desde o início do ano até 11 de setembro, e as tarifas ferroviárias russas deveriam voltar a subir em outubro. A demanda por vagões de carvão também eleva os custos, com impacto particularmente forte no carvão térmico. Os embarques russos de carvão metalúrgico para a Turquia diminuíram 30% nos primeiros sete meses de 2026, sem nenhuma entrega em julho. No mesmo mês, os embarques para portos no sul da Rússia caíram 33% em relação a junho. A FISU afirmou que os custos maiores e a concorrência de preços dificultam a manutenção da participação das empresas russas, enquanto a Mongólia amplia suas entregas à China.

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