Receita da borracha do Camboja cresce cerca de 40% e supera 560 milhões de dólares
O setor de borracha do Camboja gerou mais de 560 milhões de dólares nos sete primeiros meses de 2026, alta de cerca de 40% na comparação anual. As exportações de látex e madeira de seringueira responderam por mais de 360 milhões. O volume exportado de látex subiu 25,7%, para 184.560 toneladas.
O setor de borracha do Camboja gerou mais de 560 milhões de dólares em receita nos sete primeiros meses de 2026, alta de cerca de 40% frente ao mesmo período de 2025, segundo dados da Direção-Geral da Borracha do Ministério da Agricultura, Florestas e Pescas citados pelo The Phnom Penh Post. As exportações de látex e madeira de seringueira responderam por mais de 360 milhões de dólares desse total; o restante veio de entregas diretas às fábricas de pneus instaladas no país.
Látex exportado sobe 25,7% e madeira se multiplica
Entre janeiro e julho de 2026, o Camboja exportou 184.560 toneladas de látex, aumento de 25,7% na comparação anual. As exportações de madeira de seringueira cresceram bem mais rápido e chegaram a 61.878 metros cúbicos, salto de 441% sobre o mesmo período de 2025. Somente em julho, a receita com exportações de látex e artigos de borracha superou 111 milhões de dólares.
O salto da madeira explica parte da diferença entre a alta de 40% na receita e o avanço de 25,7% na tonelagem de látex, já que os preços se moveram pouco no período. Em volume absoluto, a madeira continua muito menor que o látex, mas já representa uma segunda linha de receita visível para as empresas de plantação.
Mercado interno paga acima da paridade de exportação
O preço médio de exportação do látex cambojano alcançou 1.875 dólares por tonelada nos sete meses, 64 dólares acima do ano anterior, avanço de 3,5%. O látex vendido no mercado interno ficou em média a 1.919 dólares por tonelada, alta de 66 dólares, também de 3,5%. O preço doméstico segue acima do de exportação, o que a Direção-Geral atribui às compras constantes dos complexos nacionais de fabricação de pneus para automóveis. A diferença é de 44 dólares por tonelada a favor da venda local, antes dos custos de transporte e movimentação até o porto.
As vendas à indústria local de pneus somam perto de 200 milhões de dólares no acumulado de sete meses, cerca de um terço da receita do setor. Para os processadores, esse canal encurta o ciclo de recebimento e elimina a exposição a fretes e à programação portuária.
Plantações operaram sem interrupções em julho
Um representante da Direção-Geral da Borracha afirmou que em julho toda a cadeia de valor funcionou normalmente, tanto nas grandes empresas de plantação quanto nos pequenos produtores de todo o país, sem obstáculos e com ritmo estável de sangria. A área plantada com seringueira soma hoje 448.051 hectares. Desse total, 357.483 hectares, ou 80%, estão em fase de sangria, enquanto 90.568 hectares, ou 20%, seguem imaturos, em etapa de tratos culturais e formação. Essa parcela aponta para novo crescimento de volume à medida que esses talhões entrarem em produção.
Oferta global deve crescer 2,1% em 2026
Para o ano completo, a ANRPC projeta produção global de borracha natural em alta de 2,1%, para quase 15,28 milhões de toneladas, ante 14,97 milhões de toneladas em 2025. A associação descreve esse crescimento como contido por perturbações climáticas, baixas taxas de replantio, tensões geopolíticas e outros entraves estruturais, mesmo com preços firmes ao produtor.
Crescimento moderado da oferta global somado a preços estáveis abre espaço para origens capazes de acrescentar tonelagem. As exportações cambojanas de látex em sete meses equivalem a cerca de 1,2% do volume que a ANRPC espera da produção mundial no ano inteiro, o que mantém o país como fornecedor de porte médio. Seu crescimento de 25,7%, porém, supera com folga a taxa global. Para importadores e fabricantes de pneus que compram no Sudeste Asiático, o Camboja é uma das poucas origens que adiciona oferta relevante em um mercado que se expande em dígito baixo.