Camarões reduz em 11 bilhões de FCFA a conta de importações de alimentos
A conta de importações de alimentos de Camarões caiu cerca de 17% em termos anuais, para 54 bilhões de FCFA, no primeiro trimestre de 2026. A redução das compras de arroz e milho liderou a queda, mas o instituto nacional de estatística alertou para riscos ao abastecimento e aos produtores.
Gasto com importações de alimentos cai cerca de 17%
Camarões reduziu em 11 bilhões de FCFA o valor das suas importações de alimentos no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. Os dados do Instituto Nacional de Estatística, INS, publicados em 7 de agosto de 2026, mostram que a conta caiu de 65 bilhões para 54 bilhões de FCFA, uma contração de aproximadamente 17%.
Segundo o Investir au Cameroun, a diminuição das compras externas de arroz e milho respondeu por grande parte da queda. O resultado reduz o custo imediato do abastecimento alimentar externo, mas o INS destacou que ele não decorre apenas de uma expansão duradoura da produção nacional.
Política para o arroz e compras de milho impulsionam a queda
O INS apontou o arroz como o principal fator. O instituto relacionou a redução das importações à expansão da área plantada desde 2024 e à elevação das tarifas aduaneiras. As cobranças aumentaram 5% para o arroz comum e 20% para as categorias apresentadas como arroz de luxo. A medida torna o produto importado relativamente mais caro e favorece a demanda pela produção local.
A queda foi ainda mais acentuada no milho. O valor importado passou de 3,9 bilhões de FCFA no primeiro trimestre de 2025 para cerca de 600 milhões de FCFA no mesmo período de 2026. A contração de quase 85% deixou uma parcela muito maior da demanda camaronesa de milho dependente da oferta doméstica e dos estoques existentes.
O aumento do custo do transporte marítimo também reduziu a atratividade de algumas importações, de acordo com o INS. Portanto, parte da economia de 11 bilhões de FCFA reflete condições de mercado que podem mudar, e não uma redução permanente da necessidade de alimentos estrangeiros.
Fluxos para a Nigéria alteram o mercado interno
A disponibilidade de arroz e milho em Camarões também cresceu porque as exportações informais para a vizinha Nigéria desaceleraram. O INS associou essa mudança às restrições nigerianas sobre determinadas importações originárias de fora da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental, à desvalorização da naira e ao apoio à produção agrícola nigeriana. Esses fatores mantiveram mais cereais em Camarões e reduziram a necessidade imediata de importação.
A mesma situação cria riscos em direções opostas. Uma oferta local maior e menos canais de venda na Nigéria podem pressionar os preços recebidos pelos agricultores camaroneses. O INS alertou que pequenos produtores podem ter dificuldade para vender a preços rentáveis e dentro dos prazos habituais. Isso restringiria sua capacidade de comprar outros alimentos além dos cereais.
Por outro lado, uma forte recuperação das exportações informais para a Nigéria retiraria parte da oferta hoje disponível aos compradores camaroneses. Se isso coincidir com uma queda relevante da produção local, o menor volume importado deixará o mercado com menos proteção contra escassez e altas de preços nos trimestres seguintes.
Armazenamento e processamento definirão a duração do ganho
Uma conta de importação menor, portanto, não significa automaticamente melhora da segurança alimentar ou da renda agrícola. Seu valor econômico dependerá da capacidade de Camarões de manter uma produção maior, garantir oferta suficiente aos consumidores e preservar preços comercialmente viáveis para os agricultores.
O Investir au Cameroun observou que transformar a redução em ganho duradouro exigirá mais capacidade de armazenamento e processamento, além de mercados confiáveis para as colheitas locais. Essas instalações podem absorver excedentes sazonais, reduzir a pressão sobre os preços ao produtor e criar uma reserva diante de mudanças nos fluxos fronteiriços ou nas safras. Sem elas, a queda do primeiro trimestre continuará vulnerável aos custos de transporte, à demanda nigeriana e às oscilações da produção local de cereais.