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Produção mundial de calçado chega a 24,6 bilhões de pares em 2025 com exportações estagnadas

A produção mundial de calçado cresceu 2,9% em 2025, para 24,6 bilhões de pares, enquanto as exportações ficaram estagnadas em 14,74 bilhões de pares, segundo o Relatório do Mercado Mundial do Calçado 2026 da associação espanhola AEC. O valor exportado subiu 1,6%, para perto de US$ 172 bilhões, e a Espanha produziu cerca de 60 milhões de pares, queda de 14,2%.

Produção mundial de calçado chega a 24,6 bilhões de pares em 2025 com exportações estagnadas

A produção mundial de calçado alcançou 24,6 bilhões de pares em 2025, alta de 2,9% sobre 2024, com as exportações paradas em volume e novo avanço do valor. Os dados constam do Relatório do Mercado Mundial do Calçado 2026, elaborado pela Associação Espanhola de Empresas de Componentes para Calçado (AEC) e divulgado pela Cadena SER.

As exportações somaram 14,74 bilhões de pares, variação de −0,1% na comparação anual. O valor exportado subiu 1,6%, aproximando-se de US$ 172 bilhões, e o preço médio mundial ficou em US$ 11,65 por par. O relatório analisa produção, consumo, exportação e importação por país e tipologia, além de preços médios, matrizes de posicionamento, tendências de consumo, projeções para 2026–2030, rankings empresariais e um plano comercial para o setor espanhol de componentes.

O crescimento vem do preço e do mix

A tendência de fundo é mais nítida que o dado anual: na última década o volume exportado cresceu cerca de 3,3%, enquanto o valor avançou 35,7%. O relatório atribui a diferença aos preços, ao mix de produto, ao posicionamento de marca e à incorporação de atributos técnicos, ambientais e de conforto, e não à colocação de mais pares no mercado.

Segundo o diretor-geral da AEC, Álvaro Sánchez, “o futuro do calçado não será decidido apenas pelo volume, mas pela capacidade de agregar design, inovação, desempenho, sustentabilidade, rapidez e segurança a toda a cadeia de valor”. O setor, acrescentou, “não está crescendo principalmente por vender mais pares, e sim pela evolução dos preços, pela melhora do mix de produto, pelo posicionamento de marca e pela incorporação de maiores atributos técnicos e ambientais”.

Ásia concentra produção e volume exportado

A China seguiu como maior produtora, com 13,66 bilhões de pares, à frente da Índia, com 3 bilhões, e do Vietnã, com 1,658 bilhão. Os dez maiores produtores reuniram 89,5% do total mundial, e a capacidade continua se deslocando para Vietnã, Indonésia, Índia e outros polos asiáticos.

Na exportação, a China concentrou 61,2% dos pares embarcados e o Vietnã, 11,2%. A Europa ocupa posição distinta: seu preço médio de exportação chegou a US$ 34,76 por par, contra US$ 8,02 na Ásia. A AEC associa a diferença à especialização europeia em produto premium, técnico, de conforto, segurança, outdoor e moda, e em produções sujeitas a exigências documentais e ambientais mais rígidas.

Espanha cai para a 23ª posição

A Espanha produziu aproximadamente 60 milhões de pares em 2025, 14,2% menos que em 2024. O país perdeu quatro posições no ranking mundial, do 19º para o 23º lugar, e sua produção representa agora apenas 0,24% do total global.

Para a AEC, os números mostram a necessidade de uma política industrial específica para calçado e componentes, de maior competitividade das fábricas, de mais investimento produtivo e de condições equivalentes de concorrência para todos os produtos que entram no mercado europeu. Sánchez afirmou que a Europa “deve reforçar os controles na origem e garantir que qualquer calçado comercializado em nosso mercado cumpra as mesmas normas rigorosas de qualidade, segurança e sustentabilidade”, pois “proteger o consumidor também significa proteger a indústria que de fato cumpre”.

Demanda na Ásia, importação nos Estados Unidos

O consumo mundial ficou em torno de 22,5 bilhões de pares. A China foi o maior mercado, com 4,817 bilhões de pares, ou 21,4% do total, seguida pela Índia, com 2,772 bilhões, e pelos Estados Unidos, com aproximadamente 1,95 bilhão. América do Norte e Europa mantiveram maior intensidade de consumo, com 4,6 e 4,1 pares por habitante. Os Estados Unidos seguiram como principal importador mundial, com 1,986 bilhão de pares e 15,7% das importações.

Para a indústria espanhola de componentes, o relatório aponta oportunidades em:

  • materiais de menor impacto e têxteis técnicos
  • solados leves e de alto desempenho e palmilhas de conforto
  • couros e acabamentos premium, aviamentos e adesivos
  • rastreabilidade e conformidade química
  • prototipagem rápida e soluções de circularidade

A AEC propõe combinar a defesa dos mercados europeus — em especial Itália, Portugal, França e Alemanha — com maior presença no Vietnã, na Índia e na Indonésia, o desenvolvimento de cadeias de proximidade no Mediterrâneo, na Turquia, no Marrocos e no México, e o acesso aos mercados premium da América do Norte, do Golfo e do Japão.

Análise completa do mercado

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