Burkina Faso suspende veto de quatro anos à exportação de farinhas de cereais
Burkina Faso voltou a permitir a exportação de farinha de milheto, milho e sorgo após uma suspensão iniciada em fevereiro de 2022. As indústrias recuperam o acesso ao mercado regional, mas a oferta e os preços internos continuam sendo os principais riscos.
Suspensão termina após mais de quatro anos
Burkina Faso suspendeu em todo o território a proibição de exportar farinha de milheto, milho e sorgo. A medida reabre um canal comercial que estava fechado havia mais de quatro anos. Segundo a APA News, o governo encerrou a restrição instituída em 23 de fevereiro de 2022. A nova decisão passou a vigorar na data de assinatura do comunicado oficial.
A mudança afeta diretamente moinhos, comerciantes de cereais e distribuidores que atendem mercados fora de Burkina Faso. O anúncio não informa volumes de exportação, países de destino, cotas ou condições de licenciamento. O impacto comercial inicial dependerá, portanto, da obtenção dos documentos exigidos, da disponibilidade de farinha e da diferença de preços entre os mercados interno e regional.
Restrição surgiu em meio à pressão sobre a segurança alimentar
Os controles originais foram adotados num período de baixa disponibilidade de cereais. A Agence Ecofin informou em abril de 2022 que as autoridades haviam proibido as exportações de grãos para preservar a oferta interna e conter a alta dos preços após a produção fraca de 2021. Naquele momento, o déficit cerealífero era estimado em cerca de 450.000 toneladas. Outros 450.000 hectares de terras agrícolas haviam sido abandonados devido à deterioração da segurança e à insuficiência das chuvas.
As restrições continuaram sendo um instrumento ativo da política alimentar nos anos seguintes. Em agosto de 2023, o governo abriu uma exceção para o envio de grãos de milheto, milho, sorgo e feijão-fradinho exclusivamente ao Níger. A Agence Ecofin descreveu a decisão como uma exceção à restrição geral, refletindo a dependência nigerina de países vizinhos da África Ocidental no abastecimento de cereais básicos.
Mais espaço para os processadores locais
A reabertura ocorre após medidas de apoio à produção nacional de farinha. Em setembro de 2024, Burkina Faso concedeu isenção tributária à farinha de trigo, milho, sorgo e outros cereais produzida localmente. Segundo a Agence Ecofin, a medida poderia reduzir os custos fiscais dos moinhos e estimular o investimento privado em processamento. No mesmo mês, uma fábrica de farinha infantil com capacidade de 12 toneladas por dia foi inaugurada em Uagadugu. A unidade utiliza cereais, soja, milheto, leguminosas e oleaginosas produzidos por organizações e associações locais de agricultores.
Burkina Faso também recorreu a controles de importação para administrar o mercado de moagem. O governo suspendeu as importações de farinha de trigo em abril de 2024. A Agence Ecofin informou que o país importou mais de 12.400 toneladas de farinha de trigo, no valor superior a 5,5 milhões de dólares, em 2022, principalmente por meio de reexportações da Costa do Marfim, de Gana e do Togo. Em 2023, as compras de farinha de trigo cresceram 31%, para 16.360 toneladas, enquanto as importações de trigo avançaram 26%, superando 270.000 toneladas. O país importa quase todo o trigo que consome.
A autorização para exportar farinha produzida com milheto, milho e sorgo locais permite aos processadores atender compradores regionais sem eliminar o apoio à moagem nacional. A medida também pode ampliar a procura por grãos cultivados no país. O equilíbrio dependerá de as exportações de farinha crescerem ou não mais rapidamente que a produção e a oferta interna. Produtores e processadores ganham um mercado maior; para consumidores e autoridades, disponibilidade e preços continuam sendo os principais indicadores.