Burkina Faso inaugura complexo têxtil de US$ 30 milhões para processar seu algodão
O complexo TEXFORCES-BF foi inaugurado em 9 de setembro de 2026 em Bobo-Dioulasso, com capacidade inicial para processar mais de 12 mil toneladas de algodão por ano e meta de 50 mil toneladas no longo prazo. A Agence Ecofin estima o investimento em US$ 30 milhões, enquanto a AllAfrica informa 17 bilhões de francos CFA.
Burkina Faso inaugurou em 9 de setembro de 2026, em Bobo-Dioulasso, um complexo têxtil integrado, projeto voltado a levar o país da exportação de fibra bruta de algodão para a produção local de tecidos e roupas acabadas. A Agence Ecofin estima o investimento em US$ 30 milhões, enquanto a AllAfrica informa um custo de 17 bilhões de francos CFA.
Uma fábrica construída em torno do algodão nacional
O Complexo Têxtil das Forças de Burkina Faso (TEXFORCES-BF) fica em Logofourousso, no município de Bobo-Dioulasso, no eixo em direção a Orodara, e foi inaugurado pelo presidente do Faso, capitão Ibrahim Traoré, segundo a Sikafinance. A área ocupa 9 hectares e reúne unidades de fiação, tecelagem e confecção, além de prédios administrativos, um armazém e uma enfermaria, de acordo com a AllAfrica.
A produção se destina primeiro às forças de defesa e segurança e aos Voluntários para a Defesa da Pátria, depois a corpos paramilitares, a compradores corporativos e, gradualmente, ao mercado civil. A Sikafinance registra que as autoridades apresentam o projeto como forma de reduzir a dependência de importações têxteis e reter mais valor agregado dentro do país. O presidente do conselho de administração da empresa, general de brigada Ismaël Kiswendsida Diaouari, afirmou que um país produtor de algodão não pode admitir de forma duradoura que a maior parte do valor agregado, dos empregos e do conhecimento ligados a essa matéria-prima seja criada fora de suas fronteiras.
Capacidade e a meta de 50 mil toneladas
O complexo começa com capacidade para processar mais de 12 mil toneladas de algodão por ano, informa a AllAfrica. A Sikafinance detalha assim as capacidades industriais instaladas:
- 20 milhões de metros de tecido por ano na tecelagem
- entre 5 milhões e 6 milhões de unidades em malharia
- até 20 milhões de metros em acabamento e tingimento
- de 4 milhões a 6 milhões de fardamentos por ano na confecção
- mais de 5 milhões de camisetas e mais de 1 milhão de pares de meias por ano
A planta deve ganhar escala por etapas. A ambição declarada de longo prazo é processar até 50 mil toneladas de algodão por ano, com capacidade de tecelagem de 100 milhões de metros e produção superior a 20 milhões de peças confeccionadas por ano. Esses volumes pretendem cobrir parte da demanda interna e posicionar a fábrica nos mercados sub-regional e internacional.
Empregos e o caminho para o mercado civil
O projeto deve gerar 600 empregos diretos e cerca de 15 mil indiretos, segundo a AllAfrica. O mesmo texto coloca a fábrica diante de uma defasagem antiga: Burkina Faso se firmou entre os grandes produtores africanos de algodão, com safra próxima de 600 mil toneladas no início dos anos 2000, sem que o processamento local acompanhasse. O desaparecimento da Fasofani deixou um vazio no cenário têxtil nacional, enquanto Faso Coton e SOCOMA, ao lado da SOFITEX, sustentaram a produção de algodão sem alcançar um processamento industrial integrado. Iniciativas privadas como a Filsah e a hidrofiação de Pabré mostraram que o setor manteve competências e empreendedores.
A compra pública dá à fábrica um mercado de partida, mas não pode ser seu único canal, observa a AllAfrica. O complexo terá de conquistar pedidos de empresas, administrações, escolas e consumidores e, em seguida, olhar para a sub-região. Produzir localmente não basta: a produção precisa ser regular, com custos controlados e qualidade capaz de enfrentar a concorrência.
Condições e riscos na origem
A crise de segurança atingiu várias regiões produtoras de algodão. A AllAfrica lista como condições da retomada têxtil a segurança das zonas algodoeiras, o aumento da produtividade, o acesso a insumos, o acompanhamento técnico e uma remuneração suficientemente atrativa aos produtores, com a Offensive agro-pastorale do governo apresentada como resposta na questão do rendimento.
Fraude, concorrência desleal e importações que enfraquecem a produção local seguem como as principais ameaças apontadas na análise da AllAfrica. O mesmo texto registra que a retomada pelo Estado do controle de ativos industriais estratégicos, em especial a processadora de oleaginosas SN-CITEC, integra um esforço mais amplo para manter no país uma parcela maior da cadeia de valor do algodão, cujo caroço já abastece as indústrias de óleo, sabão e ração animal.