Soja: Brasil vende 4 milhões de toneladas na semana com preços perto dos melhores do ano
Segundo a Brandalizze Consulting, negociadores brasileiros venderam cerca de 4 milhões de toneladas de soja no mercado interno na semana até 8 de julho, com os futuros em Chicago perto dos melhores níveis do ano antes de recuarem na quarta-feira. As vendas da safra velha seguem próximas da média histórica, enquanto as da safra 2026/27 estão atrasadas em meio a temores de alta nos custos de insumos ligados ao petróleo.
Ritmo forte de vendas no mercado interno brasileiro
Os negociadores brasileiros de soja venderam cerca de 4 milhões de toneladas no mercado interno nesta semana, até a quarta-feira, dia 8 de julho, segundo a consultoria Brandalizze Consulting. Segundo o consultor Vlamir Brandalizze, os produtores aproveitam preços que operam perto dos melhores níveis do ano, tanto nos portos quanto no mercado de balcão.
No porto de Paranaguá, as referências variaram entre R$ 143,00 por saca para entrega em agosto, com pagamento em 31 de agosto, e R$ 149,00 para entrega em novembro de soja disponível. Para a safra de 2027, os preços ficaram entre R$ 138,00 e R$ 139,00 por saca. As referências portuárias ficaram acima das da semana anterior, mas o avanço foi limitado pelo real mais firme frente ao dólar e pelo recuo dos prêmios, reação típica diante das altas em Chicago.
Futuros em Chicago recuam após fortes ganhos na semana
Na Bolsa de Chicago, os futuros de soja recuaram na quarta-feira depois de uma sequência de altas, com os preços testando apenas ligeiras baixas em meio à realização de lucros. Ainda assim, o ganho acumulado na semana foi expressivo: o contrato de julho subiu 5,75% entre a quinta-feira, dia 2 de julho, e a quarta-feira, chegando a US$ 11,96 por bushel, após ter trabalhado no patamar de US$ 12,00 durante o pregão. O contrato de agosto avançou 4,93%, para US$ 11,92, e o de novembro, 3,84%, para US$ 11,91 por bushel.
Victor Martins, analista de soja e gestor de risco da Amius, disse que o mercado "comprou no boato e vendeu no fato", em consolidação antes do próximo relatório do USDA. O farelo de soja recuou mais de 1% na quarta-feira, o que também pressionou os preços da oleaginosa, enquanto o óleo de soja subiu mais de 3% em Chicago, impulsionado pela forte alta do petróleo em meio à escalada de tensão entre Irã e Estados Unidos. O petróleo Brent negociado em Londres subiu mais de 5% após notícias de que os dois países já não consideram mais provável um acordo ou cessar-fogo.
Vendas da safra velha seguem no ritmo, safra nova está atrasada
Segundo a Brandalizze Consulting, o Brasil já comercializou cerca de 71% da safra de soja 2025/26, próximo dos 71,5% negociados no mesmo período do ano passado e um pouco abaixo da média de cinco anos, de 72%. Cerca de 52 milhões de toneladas ainda estão nas mãos dos produtores, ante pouco mais de 48 milhões de toneladas no mesmo período do ano anterior.
As vendas antecipadas da próxima safra, 2026/27, estão atrasadas: apenas 23% foi comercializado, ante 26,5% no mesmo período do ano passado e uma média histórica de 27%. Brandalizze destacou que os produtores têm recorrido cada vez mais a negócios de barter para garantir insumos para a próxima safra, com receio de que a alta do petróleo encareça fertilizantes e defensivos agrícolas. Ele espera que esse movimento continue nos próximos dias.
Demanda e clima seguem sustentando os preços
Além da realização de lucros em Chicago na quarta-feira, agentes do mercado continuam apontando o risco climático no Corn Belt dos Estados Unidos na segunda quinzena de julho e a retomada das compras chinesas de soja americana como os principais fatores de sustentação dos preços. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos confirmou a venda de 472 mil toneladas de soja à China, negócio que havia contribuído anteriormente para as altas em Chicago. A realização de lucros na soja na quarta-feira coincidiu com quedas mais fortes nos futuros de milho e trigo na CBOT.