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Brasil supera a UE como maior fornecedor de gado vivo para o norte da África e o Oriente Médio

Em uma década, o Brasil desbancou a União Europeia como principal exportador de gado vivo para o norte da África e o Oriente Médio, impulsionado por preços muito mais competitivos. As exportações da UE para países terceiros caíram para 500.000 cabeças em 2025, enquanto a Austrália também se retira do mercado.

Brasil supera a UE como maior fornecedor de gado vivo para o norte da África e o Oriente Médio

Brasil supera a UE no norte da África e no Oriente Médio

Na última década, o Brasil desbancou a União Europeia como principal exportador de gado vivo para o norte da África e o Oriente Médio, o mercado mais disputado do comércio mundial de animais vivos, segundo o veículo agrícola francês Web-agri, que cita os agroeconomistas Maximin Bonnet e Cassandre Matras, do instituto Idele, em uma jornada sobre os mercados mundiais de carne realizada em 12 de junho.

Em 2025, mais de 4,7 milhões de bovinos vivos não reprodutores foram exportados no mundo, excluídos os fluxos internos da UE. O comércio mundial organiza-se em blocos regionais: um circuito norte-americano fechado entre México, Estados Unidos e Canadá, e fluxos para o Sudeste Asiático dominados pelas exportações australianas para a Indonésia. A zona do norte da África e do Oriente Médio é a mais disputada, e seu padrão de importações mudou drasticamente.

Em 2015, a UE era o principal fornecedor da região, com grandes fluxos para Israel, Turquia, Líbano, Líbia e o Magreb. Em 2025, só o Brasil exportou mais de 1 milhão de bovinos, na grande maioria para essa zona, com Turquia, Marrocos, Egito e Iraque à frente dos compradores. "Há três anos vemos uma explosão das exportações da América do Sul para o Mediterrâneo", resumiu Bonnet.

A diferença de preço impulsiona a virada

O principal motor é o preço. Entre 2022 e 2025, o preço unitário médio dos bovinos vivos não reprodutores exportados pela UE subiu quase 531 €/cabeça, aproximando-se de 1.500 €/cabeça em 2025. No mesmo período, o preço de exportação do Brasil caiu 60 €/cabeça, o da Colômbia 35 €/cabeça e o da Austrália 475 €/cabeça. Essa diferença de competitividade deixa pouca margem aos exportadores europeus em mercados formados em grande parte por países de renda média sensíveis a preço.

O exemplo do Marrocos é ilustrativo. Até 2022, o país importava quase apenas gado europeu, principalmente espanhol. Em 2023 e 2024, os animais europeus ainda dominavam, mas a preços muito mais altos, de 800 a 1.500 €/cabeça. Em 2025, o Marrocos voltou-se em massa para o Brasil e o Uruguai, o que reduziu seu preço médio de importação. O Líbano seguiu caminho semelhante, e a Turquia cortou suas compras europeias para quase zero devido à agressividade dos preços sul-americanos.

A oferta da UE encolhe enquanto a Austrália recua

As exportações totais de gado vivo da UE para países terceiros caíram de mais de 700.000 cabeças em 2024 para 500.000 em 2025. Romênia, Espanha e Portugal ainda se seguram, e em menor medida Croácia e Hungria, enquanto França e Irlanda — exportadores significativos em 2015 — despencaram. O gado francês não pode sair para países terceiros desde o verão passado por causa da dermatose nodular contagiosa, lembrou Bonnet. Ele apontou a falta de oferta como a principal causa do declínio europeu: a demanda interna mantém o gado magro no continente e sustenta os preços.

A Austrália também recua. Segundo maior exportador mundial de gado vivo há dez anos, o país reduz seus embarques sob pressão da opinião pública sobre bem-estar animal e transporte marítimo de longa distância, e proibirá a partir de 2028 a exportação de ovinos vivos por navio. As exportações australianas de bovinos vivos não reprodutores passaram de mais de 1,2 milhão de cabeças em 2015 para cerca de 650.000 em 2025, concentradas na Indonésia e, em menor medida, no Vietnã.

Riscos para 2026

Vários fatores podem reconfigurar os fluxos em 2026. Os altos preços mundiais dos fertilizantes podem frear a produção de forragem nos países importadores e sua capacidade de engordar animais importados, embora a Argélia possa se beneficiar da alta dos preços do gás. Um forte El Niño previsto para as próximas semanas pode trazer seca à Austrália, à Índia e à América do Sul, afetando a forragem e a disponibilidade para exportação. As tensões no Oriente Médio persistem, sobretudo no Líbano. Do lado da demanda, Matras destacou que o Hajj de 2026 recebeu mais peregrinos do que no ano anterior, um sinal positivo para as importações da Arábia Saudita, cuja demanda por gado vivo continua significativa.

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