Ureia sobe pela quinta semana seguida no Brasil e acumula quase 20% nos portos
Os preços da ureia nos portos brasileiros avançaram pela quinta semana consecutiva e acumulam alta próxima de 20%, segundo análise da StoneX divulgada pelo Notícias Agrícolas. A alta encarece a recomposição de estoques de nitrogenados para a safrinha de milho do ciclo 2026/27. A consultoria aponta demanda brasileira, custos elevados do gás natural, as negociações entre Estados Unidos e Irã e rumores de retorno da Índia ao mercado.
Os preços da ureia no Brasil avançaram pela quinta semana consecutiva, com alta acumulada próxima de 20% nos portos do país, segundo análise da StoneX divulgada pelo Notícias Agrícolas. O movimento ocorre no momento em que os compradores precisam recompor estoques de nitrogenados para a safrinha de milho do ciclo 2026/27.
Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, afirma que a alta representa uma mudança relativamente rápida de patamar e resulta da combinação de fatores internos e externos. Entre eles estão o aumento da demanda brasileira, os custos elevados do gás natural e as incertezas em torno das negociações entre Estados Unidos e Irã.
Cinco semanas consecutivas de alta
“Os preços da ureia aumentaram pela quinta semana consecutiva no mercado brasileiro, indicando uma tendência de alta no segmento”, afirma Pernías. “Esse movimento acende um alerta para os compradores do setor, que, nos próximos meses, devem avançar na recomposição de estoques para a safrinha do ciclo 2026/27.”
O calendário pesa: a safrinha é a segunda safra de milho do país e é semeada após a colheita da soja, o que concentra as compras de nitrogenados em uma janela estreita. Quem adiou a cobertura enquanto o mercado estava mais calmo paga agora mais caro pelo mesmo volume, e a velocidade do movimento deixa pouco espaço para diluir posições.
Custo do gás, negociações com o Irã e possível volta da Índia
O gás natural é a principal matéria-prima da amônia e, portanto, da ureia, de modo que o custo elevado do insumo se reflete diretamente na economia da produção de nitrogenados. Pernías aponta ainda o pessimismo quanto ao avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã, que mantém um prêmio de risco sobre a oferta mundial de nitrogenados.
O cenário internacional ganhou atenção adicional com os rumores de que a Índia poderá voltar ao mercado para adquirir novas cargas de ureia. Segundo a StoneX, a possibilidade de aumento da demanda global contribui para sustentar as cotações do fertilizante.
- Demanda crescente no Brasil
- Pessimismo em relação às negociações entre Estados Unidos e Irã
- Custos elevados do gás natural
- Rumores de que a Índia poderá retornar em breve como compradora de mais cargas de ureia
Milho valorizado sustenta as relações de troca
Apesar da valorização dos nitrogenados, a StoneX avalia que a situação do produtor de milho está mais favorável do que alguns meses atrás, já que a alta recente das cotações do cereal compensou parte do aumento dos custos com fertilizantes. “Mesmo com o aumento recente dos preços da ureia e do sulfato de amônio, a situação dos produtores de milho no Brasil está mais favorável agora do que há alguns meses”, destaca Pernías.
De acordo com a consultoria, a valorização do milho manteve as relações de troca em níveis próximos aos observados no mesmo período do ano passado, reduzindo por enquanto a pressão sobre o poder de compra do produtor. A melhora nas cotações do cereal também eleva a receita potencial das lavouras e contribui para uma perspectiva mais positiva de rentabilidade.
Efeito de retorno sobre a demanda de nitrogenados
A mesma dinâmica traz risco para os compradores de fertilizantes. Com perspectivas mais favoráveis de rentabilidade, os agricultores podem ampliar a área destinada ao cereal, elevando a necessidade de nitrogenados durante o ciclo produtivo. “Vale lembrar que aumentos no preço do milho podem, a depender da conjuntura do mercado, impulsionar os preços dos fertilizantes nitrogenados”, afirma Pernías.
O analista acrescenta que uma eventual expansão da área plantada e o aumento da demanda por adubação podem gerar novas pressões sobre a ureia e outros nitrogenados, enquanto o milho mais caro melhora ao mesmo tempo a capacidade de compra de insumos pelo produtor, o que também tende a sustentar o consumo de nitrogenados. Como referência, Pernías lembra que, nos momentos mais críticos da guerra entre Estados Unidos e Irã e diante dos temores sobre a oferta mundial de nitrogenados, a ureia chegou a se aproximar de US$ 800 por tonelada nos portos brasileiros, acima dos níveis atuais.