Indústria brasileira de panificação e massas fatura R$36 bilhões no semestre
A indústria brasileira de biscoitos, massas, pães industrializados e bolos faturou R$36 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta anual de 2,1%. O volume vendido caiu 2,1%, enquanto o consumo se concentrou em itens básicos acessíveis e determinadas opções premium.
Receita cresce enquanto o volume vendido recua
A indústria brasileira de biscoitos, massas alimentícias, pães e bolos industrializados faturou R$36 bilhões no primeiro semestre de 2026, crescimento de 2,1% sobre o mesmo período de 2025. O avanço em valor ocorreu ao mesmo tempo que uma retração de 2,1% no volume comercializado, portanto a alta da receita não correspondeu a um aumento do consumo físico.
O Portal IN divulgou os números de um levantamento da Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães Industrializados, Abimapi, elaborado com dados da NielsenIQ. A Abimapi reúne mais de 110 empresas, que representam aproximadamente 80% do mercado. Segundo a associação, as categorias representadas estão presentes em todos os lares brasileiros.
Os dados da NielsenIQ mostram que as compras se distribuem cada vez mais entre dois extremos do mercado. Os itens básicos e acessíveis continuam importantes para as famílias que buscam economia, enquanto o consumidor aceita pagar mais por produtos premium ou indulgentes quando percebe um benefício claro. Isso exige que os fabricantes administrem preço, inovação e valor percebido dentro do mesmo portfólio.
Biscoitos lideram e misturas para bolo têm maior avanço
Os biscoitos permaneceram como a maior categoria, com faturamento de R$18 bilhões, alta de 3,7%. O volume, porém, recuou 2,3%, para 747 mil toneladas. Os produtos premium responderam por 10,3% da receita da categoria e por 7,9% da frequência de compra, indicando que itens de maior valor preservaram a demanda mesmo com a redução da tonelagem total.
Os biscoitos cobertos avançaram 7,9%. Os amanteigados aumentaram em 1,8% sua penetração nos lares e em 2,7% as ocasiões de compra. Cookies, biscoitos cobertos e recheados doces mantiveram espaço na cesta ao lado dos produtos básicos de menor preço.
As misturas para bolo registraram o maior crescimento percentual. O faturamento chegou a R$613 milhões, alta de 14,7%, enquanto o volume aumentou 4,1%, para 69 mil toneladas. As misturas representaram 80,7% de sua categoria e tiveram expansão de 22,3% na taxa de vendas em valor, tornando-se um dos principais focos de crescimento do semestre.
Pães avançam, enquanto massas e bolos recuam
O faturamento dos pães industrializados cresceu 1,1%, para R$8,4 bilhões, embora o volume tenha caído 3,9%, para 385 mil toneladas. Pães para hambúrguer e hot dog tiveram desempenho positivo com a transferência de parte das refeições rápidas consumidas fora de casa para o ambiente doméstico. As ocasiões de compra de pão para hambúrguer por lar aumentaram 15,6%.
As massas alimentícias seguiram na direção contrária: o faturamento caiu 0,8%, para R$7,6 bilhões, e o volume diminuiu 1,5%, para 642 mil toneladas. As massas refrigeradas superaram o desempenho geral da categoria, com alta de 6,4% em valor. Produtos de grano duro e opções apresentadas como caseiras também deram contribuição positiva.
Os bolos industrializados faturaram R$1,4 bilhão, queda de 0,8%, enquanto o volume recuou com mais força, 7,4%, para 30 mil toneladas. As embalagens menores ganharam relevância: entre as monoporções, o formato de 40 gramas aumentou em 4,2% sua importância na categoria. No conjunto da indústria, a combinação de receita maior e tonelagem menor reforça o peso do tamanho da embalagem, do mix de produtos e da disposição do consumidor para pagar por atributos específicos.