Mercado de milho fica cauteloso no Brasil com avanço do plantio 2026/27
As negociações de milho no Sul e no Mato Grosso do Sul perderam ritmo: compradores seguem concentrados na reposição e produtores permanecem seletivos nas vendas, segundo a TF Agroeconômica. No Rio Grande do Sul, o preço médio estadual chegou a R$ 61,98 por saca e o plantio 2026/27 atingiu 60% de 896,4 mil hectares, enquanto o Mato Grosso do Sul opera entre R$ 54,00 e R$ 55,50.
O mercado de milho no Sul do Brasil e no Mato Grosso do Sul ficou cauteloso com o avanço do plantio da safra 2026/27: os compradores limitam as aquisições à reposição imediata e os produtores retêm vendas. Segundo a TF Agroeconômica, citada pelo O Correio News, a combinação reduz a liquidez nas diferentes praças, enquanto as diferenças regionais de oferta e os danos climáticos puxam o mercado em direções distintas.
Compradores repõem, vendedores seguem seletivos
A TF Agroeconômica aponta compradores concentrados na reposição e produtores seletivos nas vendas, um impasse que mantém os volumes negociados baixos, ainda que a disponibilidade física varie muito entre os estados. A diferença entre a cotação regional mais alta e a mais baixa está perto de R$ 7 por saca, suficiente para redirecionar fluxos dentro do próprio Sul. A atenção se divide entre o avanço do plantio da nova safra, os efeitos de geadas e granizo em parte do Rio Grande do Sul e a demanda industrial no Mato Grosso do Sul.
Rio Grande do Sul: plantio em 60%, danos de geada e granizo
No Rio Grande do Sul, as indicações variam entre R$ 60,00 e R$ 61,98 por saca, e o preço médio estadual calculado pela Emater avançou 0,62%, para R$ 61,98. O plantio da safra 2026/27 chegou a 60% da área prevista, de 896,4 mil hectares. Geadas provocaram danos pontuais e necessidade de replantio em algumas áreas, enquanto episódios de granizo também causaram perdas. A produção é estimada em cerca de 6,91 milhões de toneladas. Com a média estadual no topo da própria faixa de indicações, o Rio Grande do Sul segue como o mercado de milho mais caro da região.
Déficit de Santa Catarina e colheita quase concluída no Paraná
- Santa Catarina: as referências permanecem próximas de R$ 60,00 por saca, diante de uma demanda em torno de R$ 55,00. O estado consome aproximadamente 8,5 milhões de toneladas por ano e produziu 2,67 milhões na safra 2025/26, mantendo déficit próximo de 6 milhões de toneladas coberto por milho de outras regiões e do Paraguai.
- Paraná: as compras giram perto de R$ 55,00 por saca CIF, enquanto as indicações ficam próximas de R$ 60,00. A colheita da segunda safra 2025/26 alcançou 95% dos 2,91 milhões de hectares.
- Paraná, nova safra: o plantio da primeira safra 2026/27 chegou a 43% dos 373 mil hectares projetados, e 97% das áreas implantadas apresentam boas condições.
A diferença de cerca de R$ 5 entre compra e venda em Santa Catarina e no Paraná explica o ritmo lento dos negócios. O déficit estrutural catarinense garante comprador, mas não a preços gaúchos: com Paraguai e outros estados brasileiros como alternativa, a indústria local pode esperar. A colheita quase finalizada da segunda safra paranaense amplia a oferta disponível e reduz a urgência de travar compras a termo.
Mato Grosso do Sul: bioenergia sustenta a demanda
No Mato Grosso do Sul, os preços variam entre R$ 54,00 e R$ 55,50 por saca. Após altas recentes, o mercado perdeu força, embora a indústria de bioenergia continue absorvendo parte da oferta e siga como um importante canal de demanda. Essa retirada industrial é a principal razão para as cotações estaduais se manterem acima de R$ 54,00 apesar do interesse mais fraco no disponível, e mantém o Mato Grosso do Sul competitivo como origem para compradores de Santa Catarina e do Paraná.