OCDE-FAO: Brasil terá 61% das exportações de soja e 55% de açúcar até 2035
Um relatório conjunto da OCDE e da FAO projeta que o Brasil fornecerá 61% das exportações globais de soja e 55% do mercado mundial de açúcar até 2035, além de se tornar o maior exportador de algodão bruto. O documento também aponta a alta na produção de etanol e a posição do país entre os três maiores exportadores de carne bovina.
Brasil deve aprofundar liderança em soja, açúcar e algodão até 2035
O Brasil caminha para consolidar sua posição de fornecedor dominante em vários mercados agrícolas importantes ao longo da próxima década, segundo relatório conjunto da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), publicado no final de junho e divulgado pela Gazeta do Povo.
O relatório projeta que, nos próximos dez anos, o Brasil responderá por 61% das exportações globais de soja, manterá 55% do mercado mundial de açúcar e assumirá a liderança nas vendas internacionais de algodão bruto.
Soja, açúcar e algodão
A produção brasileira de soja deve crescer 0,7% ao ano até 2035, acima dos Estados Unidos, com 0,5% ao ano, mantendo o país responsável por 61% de todas as exportações globais. O relatório observa que a maior parte do crescimento no esmagamento de soja passará a ocorrer na América Latina, em contraste com a década anterior, quando se concentrou na China, com o Brasil entre os líderes no processamento doméstico para farelo e óleo.
- A produção de açúcar de cana deve atingir 50,2 milhões de toneladas até 2035, cerca de 34% da produção global, com o Brasil mantendo uma fatia dominante de 55% das exportações mundiais.
- Impulsionado por ganhos de produtividade e aumento de área, o Brasil deve se tornar o maior exportador de algodão bruto até 2035, seguido pelos Estados Unidos.
Etanol e biocombustíveis
O Brasil deve permanecer como o segundo maior produtor e consumidor de etanol combustível do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. A OCDE e a FAO preveem que o crescimento da produção de biocombustíveis até 2035 será liderado por Brasil, Indonésia e Índia. As usinas brasileiras mantêm a flexibilidade de alternar entre açúcar e etanol conforme os preços relativos e o mercado de energia. Embora a cana-de-açúcar continue sendo a principal matéria-prima, o etanol de milho cresce rapidamente e deve saltar de 8,2 bilhões de litros em 2025 para 14,5 bilhões de litros em 2035.
Carne bovina e a virada para a produtividade
Na carne bovina, o relatório projeta que o Brasil, junto com Canadá e Estados Unidos, iniciará um ciclo de recomposição de rebanho nos primeiros anos do período de projeção, após fases de liquidação ligadas a secas e baixa lucratividade. O Brasil permanecerá entre os três maiores exportadores de carne do mundo, ao lado da União Europeia e dos Estados Unidos, que juntos deterão mais da metade das exportações globais.
O documento classifica o Brasil como uma nação de renda média em transição, saindo de atividades intensivas em mão de obra para atividades intensivas em capital e tecnologia. Ressalta que o crescimento futuro da produção dependerá cada vez mais de ganhos de produtividade e da intensificação do uso da terra, como a colheita dupla com plantio direto, e não da expansão de novas áreas. O relatório também destaca os investimentos brasileiros em infraestrutura portuária e logística para sustentar os fluxos de exportação e cita o país como exemplo de políticas de economia circular e bioeconomia que incentivam insumos biológicos, como os biofertilizantes.