Brasil inicia plantio da soja 2026/27 sob risco de El Niño e menor oferta no spot
Produtores brasileiros começaram a semear a soja 2026/27 diante da previsão de um possível El Niño muito forte. O avanço antecipado no campo e a cautela dos vendedores reduziram a liquidez no mercado spot, sustentando os preços da soja e do farelo.
Plantio começa em calendários regionais distintos
Produtores brasileiros começaram a semear a safra de soja 2026/27 sob influência das chuvas recentes e da possibilidade de um El Niño muito forte. O MundoBA informou que os trabalhos tiveram início na primeira semana de setembro, enquanto o PIRANOT apontou a segunda-feira, 14 de setembro, como começo do plantio em áreas produtoras. A diferença reflete a abertura gradual das janelas regionais, e não uma única data nacional.
O Paraná tinha 81 mil hectares semeados até 10 de setembro, segundo dados do Departamento de Economia Rural citados pelo PIRANOT. A área correspondia a 1,4% dos 5,76 milhões de hectares previstos para a soja no estado. A publicação ressaltou que esse número inicial não permite projetar o ritmo paranaense para todo o Brasil.
O plantio foi parcialmente liberado no Paraná em 1º de setembro e, no Sudoeste do estado, em 11 de setembro. Nas áreas mais ao Sul, a autorização estava prevista a partir de 20 de setembro. No Rio Grande do Sul, produtores poderiam solicitar permissão para iniciar em 15 de setembro, antes do calendário regular.
Clima continua como principal risco produtivo
Pesquisadores do Cepea esperam que a semeadura ganhe ritmo quando as chuvas diminuírem e houver umidade adequada no solo. Os produtores procuram aproveitar as condições favoráveis, mas o PIRANOT observou que não há comprovação técnica de que a antecipação reduza perdas causadas pelo El Niño em escala nacional.
A probabilidade de um El Niño muito forte a partir do início da primavera, no fim de setembro, subiu de 93% para 97% em atualização de 10 de setembro, informou o PIRANOT. A distribuição das chuvas e as condições de plantio permanecem, portanto, no centro do planejamento. As fontes não apresentaram projeções regionais de produtividade nem quantificaram possíveis perdas.
As razões para antecipar os trabalhos também variam entre as regiões. Em Mato Grosso, o plantio mais cedo da soja está relacionado à preservação da janela da segunda safra de milho. Assim, eventuais atrasos podem afetar não apenas a oleaginosa, mas também reduzir o calendário disponível para o milho seguinte.
Liquidez menor sustenta preços domésticos
A incerteza climática também mudou o comportamento comercial. Segundo o Cepea, vendedores reduziram a oferta de grandes lotes de soja nos primeiros dez dias de setembro. A menor presença no mercado diminuiu a liquidez no spot brasileiro e contribuiu para a valorização da soja, embora as fontes não tenham fornecido cotações ou variações percentuais por praça.
O farelo de soja também ficou mais caro no Brasil. De acordo com o Cepea, a recomposição de estoques por compradores domésticos e a demanda externa aquecida intensificaram a disputa pelo produto disponível. Preços mais altos podem favorecer a economia do processamento, mas elevam os custos de aquisição dos consumidores nacionais de ração.
O sinal imediato do mercado é, portanto, de menor disponibilidade no curto prazo, e não de uma mudança confirmada na perspectiva de produção brasileira. O plantio ainda está no começo, e os dados do Paraná cobrem apenas uma pequena parte da área prevista. Produtores, traders e processadores acompanharão agora o ritmo dos trabalhos após a redução das chuvas, a umidade do solo e a possível retomada das vendas pelos agricultores.