Bolsinhas de nicotina como Zyn e Velo revivem a indústria do tabaco com bilhões em fábricas nos EUA
As bolsinhas de nicotina sem fumaça devem movimentar mais de US$ 40 bilhões no mundo até 2033 e já atraem mais de US$ 1 bilhão em novas fábricas nos EUA da Philip Morris, British American Tobacco e Altria. Os reguladores estão divididos: a FDA americana flexibilizou as regras e autorizou a Zyn a alegar menor risco, enquanto a França proibiu o produto e a OMS pede controles mais rígidos.
Bolsinhas de nicotina afastam a indústria do tabaco do cigarro
A indústria do tabaco encontrou um novo motor de crescimento para compensar a queda dos cigarros, e os investidores já apostam nessa mudança. As bolsinhas de nicotina — pequenos sachês colocados entre a gengiva e a bochecha — devem movimentar mais de US$ 40 bilhões no mundo até 2033, segundo o veículo brasileiro Exame, que cita projeção da consultoria Grand View Research e fontes consultadas pelo The New York Times. Somente em 2025, cerca de US$ 6,9 bilhões foram movimentados.
Para acompanhar essa expansão, as principais fabricantes anunciaram mais de US$ 1 bilhão em investimentos em novas fábricas nos Estados Unidos, concentrando a produção perto do maior mercado do produto.
Zyn lidera uma corrida disputada
A líder clara é a Zyn, marca da Swedish Match, controlada pela Philip Morris International. Segundo o analista sênior da CFRA Garrett Nelson, a empresa concentrava 61% do mercado varejista americano de bolsinhas de nicotina em valor e cerca de 56% em volume no primeiro trimestre. "Elas são agora vistas como empresas de crescimento, e há muito otimismo em torno de produtos como Zyn e IQOS, bem como de outros produtos livres de fumaça", afirmou Nelson. A Philip Morris quase dobrou o valor de suas ações nos últimos dois anos com apoio da Zyn, mesmo com a maior parte da receita ainda vindo dos cigarros. Os papéis sobem 17,15% em 2026 e 5,67% nos últimos 12 meses.
As rivais ampliam capacidade rapidamente. A Reynolds American, subsidiária da British American Tobacco e dona da marca Camel, ampliou a produção das bolsinhas Velo em fábricas na Carolina do Norte e no Tennessee. O porta-voz Luis Pinto destacou que a companhia criou cerca de mil empregos nos EUA em dois anos — a maioria ligada a esse segmento — e planeja investir US$ 3,2 bilhões até 2030 no desenvolvimento de novos produtos de nicotina, tendo as bolsinhas como principal aposta. A Altria, fabricante do Marlboro, entrou na disputa com as marcas on! e on! PLUS, produzidas em Richmond, na Virgínia, após autorização da agência reguladora americana para novos produtos em dezembro.
Bilhões na construção de fábricas
Players menores também entram na corrida. A Swisher, tradicionalmente conhecida pelos charutos, anunciou uma expansão de US$ 135 milhões em sua fábrica na Flórida, com previsão de criar ao menos 240 empregos, enquanto a sueca WiJo investe US$ 13 milhões em sua primeira fábrica na América do Norte. As negociações por trás do setor vêm de mais longe: a Altria comprou a Helix Sweden em 2019, e a Philip Morris desembolsou US$ 16 bilhões pela Swedish Match em 2022.
Reguladores divididos sobre os riscos
A política americana ficou favorável. Em maio, a agência de alimentos e medicamentos (FDA) flexibilizou as regras para bolsinhas de nicotina e cigarros eletrônicos e, no fim de junho, autorizou que produtos da linha Zyn fossem comercializados com alegações de menor risco de câncer e outras doenças em comparação aos cigarros convencionais. O secretário de Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr., passou a defender publicamente o produto como uma das formas mais seguras de consumir nicotina.
Em outros lugares, o quadro é diferente. A Organização Mundial da Saúde e a American Lung Association defendem regras mais rígidas, citando o risco de dependência e o apelo entre consumidores mais jovens. Em abril, a França proibiu esses produtos, o que provocou atritos comerciais com a Suécia. Sven Jordt, professor da Duke University School of Medicine e integrante do comitê consultivo da FDA sobre produtos de tabaco, alertou para o aumento da concentração de nicotina nas versões mais potentes, como Zyn Ultra, Grizzly e Velo Plus. A Philip Morris rejeita a avaliação de que tenha adolescentes como público-alvo; o porta-voz Sam Dashiell afirmou que a estratégia é atingir os cerca de 25 milhões de adultos americanos que ainda fumam.
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