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Bangladesh manterá importações elevadas de milho apesar de safra recorde

Bangladesh continuará sendo um importante comprador de milho mesmo com produção doméstica recorde. A demanda por ração mantém elevada a necessidade de importação, com previsões entre 1,7 milhão e 1,8 milhão de toneladas para MY2027.

Bangladesh manterá importações elevadas de milho apesar de safra recorde

Safra recorde não elimina o déficit de oferta

O mercado de milho de Bangladesh cresce tanto na produção quanto no consumo. Segundo o Daily Sun, a produção nacional deverá atingir o recorde de 6 milhões de toneladas, enquanto as importações poderão chegar a 1,8 milhão de toneladas em MY2027. Isso mostra que a demanda absorve a safra adicional, em vez de substituir o grão estrangeiro.

A indústria de ração é o principal motor dessa demanda. O milho é um ingrediente básico da alimentação de aves e também é usado em rações para aquicultura e bovinos. A expansão desses setores obriga as fábricas a comprar mais grão mesmo diante de uma colheita recorde. O milho torna-se, assim, uma cultura comercial cada vez mais importante para o país.

As projeções de importação não são uniformes. O Daily Sun aponta 1,8 milhão de toneladas em MY2027, enquanto o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos prevê 1,7 milhão de toneladas para MY2026/27. O número do USDA é 5,5% inferior à estimativa de 1,8 milhão de toneladas para MY2025/26, devido à maior produção e aos estoques iniciais mais elevados. A diferença é de 100 mil toneladas, mas ambas as previsões confirmam uma dependência relevante do fornecimento externo.

Fábricas de ração alteram o mercado importador

O USDA estima que as importações em MY2025/26 ficarão 27,2% acima do ano comercial anterior. A queda dos preços internacionais incentivou comerciantes e fabricantes de ração a comprar e formar estoques. Nos primeiros 10 meses de MY2025/26, o país importou quase 1,5 milhão de toneladas, conforme dados comerciais citados pelo USDA.

A participação dos fornecedores também mudou. O The Daily Star, citando o USDA, informa que o Brasil respondeu por 78% das importações nesses 10 meses. Estados Unidos e Índia forneceram 11% cada um. A Índia tradicionalmente se beneficiava de preços competitivos, entregas rápidas e logística consolidada, mas seu excedente exportável diminuiu com a expansão da produção doméstica de biocombustível à base de milho.

Os Estados Unidos voltaram ao mercado de Bangladesh em MY2025/26 pela primeira vez desde 2018. Três empresas locais de ração iniciaram as compras, e os embarques americanos chegaram a cerca de 160 mil toneladas. A retomada oferece mais uma origem aos importadores e amplia a concorrência entre Brasil, Índia e Estados Unidos.

Produtores ganham espaço, mas importadores continuam necessários

A forte demanda por ração sustenta a expansão do cultivo. O The Daily Star informa que os agricultores obtêm retorno equivalente a cerca de três vezes o custo de produção, enquanto o milho exige menos insumos do que o arroz boro e as hortaliças plantadas na mesma estação. Essa rentabilidade incentiva a destinação de mais terras e recursos à cultura.

Para fábricas de ração e comerciantes de grãos, porém, a safra recorde não elimina o risco de abastecimento. A diferença entre a produção doméstica e as necessidades crescentes da indústria ainda precisa ser coberta por importações e estoques. Uma projeção entre 1,7 milhão e 1,8 milhão de toneladas para MY2027 mantém Bangladesh exposto aos preços mundiais, ao frete marítimo e à disponibilidade no Brasil, na Índia e nos Estados Unidos. A maior produção local pode moderar as compras, mas o milho importado continuará central para o mercado.

Análise completa do mercado

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