Atraso no acordo EUA–Índia mantém alívio tarifário, mas amplia riscos aos exportadores
Exportadores indianos esperam ganhar competitividade quando uma tarifa adicional dos EUA de 10% expirar em 24 de julho. Uma possível medida pela Seção 301 e a tarifa de 100% prevista para genéricos a partir de 2028, porém, mantêm a incerteza de longo prazo.
Exportadores se preparam para tarifas menores
Os exportadores indianos esperam melhorar a competitividade de seus produtos nos Estados Unidos quando a tarifa adicional de 10%, aplicada atualmente às mercadorias de todos os países, chegar ao fim do período anunciado em 24 de julho. Segundo o Jagran, os embarques voltariam então às alíquotas vigentes antes de 2 de abril do ano passado, embora o acordo comercial mais amplo entre Estados Unidos e Índia continue sem assinatura.
O efeito imediato seria mais evidente nos setores em que a sobretaxa elevou de forma relevante o custo do produto importado. R.K. Jalan, exportador de artigos de couro e calçados para os Estados Unidos, disse ao Jagran que seus produtos pagavam anteriormente uma tarifa de 8,5%. Com os 10% adicionais, a carga atual chegou a 18,5%. A empresa está aceitando pedidos com base na expectativa de que a alíquota anterior volte a valer depois de 24 de julho.
Acordo comercial segue sem data de assinatura
O Ministério do Comércio da Índia informou que os documentos do acordo bilateral estão prontos, mas ainda não há data definida para a assinatura. O Jagran também cita relatos da imprensa estrangeira segundo os quais a conclusão pode levar mais três a quatro meses. O atraso é relevante porque os Estados Unidos são o maior mercado de exportação da Índia, tornando os termos tarifários finais importantes para fabricantes, traders e compradores americanos.
De acordo com a publicação, um entendimento anterior entre os dois países envolvia uma tarifa americana de 18% sobre a Índia. A posição do ministério é que o país estaria disposto a fechar um acordo caso ele conceda aos fornecedores indianos uma vantagem sobre os concorrentes no mercado dos EUA. Enquanto os termos finais não são conhecidos, os exportadores precisam formar preços considerando vários regimes tarifários possíveis.
Riscos da Seção 301 e do setor farmacêutico permanecem
O alívio previsto não elimina a possibilidade de novas medidas comerciais. Os Estados Unidos investigaram a Índia pela Seção 301 de sua legislação comercial, diante de acusações relacionadas a trabalho forçado e produção acima da capacidade. Segundo o Jagran, uma ação após a investigação poderia resultar em uma tarifa adicional de 12,5% sobre a Índia.
Ajay Sahai, CEO e diretor-geral da Federação das Organizações de Exportação da Índia, afirmou que ninguém sabe o que acontecerá depois de 24 de julho e que há grande incerteza tarifária. Ele disse que as exportações indianas seriam beneficiadas se os produtos fossem enviados pelas alíquotas anteriores a abril do ano passado. Em sua avaliação, mesmo uma tarifa americana de 12,5% não teria grande efeito sobre as exportações da Índia.
Os exportadores farmacêuticos enfrentam um cronograma separado. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que medicamentos genéricos importados terão tarifa de 100% a partir de 2028, segundo o Jagran. Até lá, os genéricos continuariam isentos. Cerca de 40% das exportações indianas de genéricos vão para os Estados Unidos, de modo que o adiamento evita um choque imediato, mas estabelece um risco futuro claro para fabricantes e compradores. No curto prazo, as tarifas menores depois de 24 de julho podem apoiar os embarques indianos; as negociações, o processo da Seção 301 e a medida farmacêutica de 2028 mantêm as decisões de longo prazo em aberto.