Estudo piloto do BRRI encontra arsênio inorgânico acima do limite do Codex em 18% das amostras de arroz de Bangladesh
Um estudo piloto do Instituto de Pesquisa do Arroz de Bangladesh encontrou arsênio inorgânico acima do limite do Codex de 0,2 mg/kg em 19 de 104 amostras comerciais de arroz. Cádmio, chumbo e resíduos de 22 agrotóxicos analisados ficaram abaixo dos níveis permitidos. O país produziu 46 milhões de toneladas de arroz no exercício 2024/25 e é o terceiro maior produtor mundial.
Quase um quinto das amostras acima do teto de arsênio do Codex
Um estudo piloto realizado no Laboratório Analítico do Arroz (RAL), ligado à Divisão de Qualidade e Nutrição de Grãos do Instituto de Pesquisa do Arroz de Bangladesh (BRRI), encontrou arsênio inorgânico acima do máximo internacional em 19 de 104 amostras comerciais de arroz, ou 18 por cento, segundo o bdnews24.com. Nos 82 por cento restantes das amostras, o arsênio ficou dentro do limite.
Os pesquisadores coletaram as 104 amostras em 17 mercados das oito divisões administrativas do país e as analisaram para cádmio, chumbo e resíduos de 22 agrotóxicos selecionados, incluindo inseticidas, herbicidas e fungicidas usados no cultivo do arroz. Pelos padrões alimentares internacionais, o arroz é considerado dentro do limite tolerável com até 0,2 mg de arsênio, 0,4 mg de cádmio e 0,2 mg de chumbo por quilo.
Cádmio, chumbo e resíduos de agrotóxicos ficaram abaixo dos limites permitidos nas amostras. Habibul Bari Sajib, integrante da equipe de pesquisa e gerente de qualidade do RAL, classificou o resultado como «bastante encorajador». Sobre o arsênio, afirmou: «Algumas amostras excederam o limite internacional para arsênio inorgânico, mas não há motivo para pânico; o que é preciso é monitoramento regular e pesquisa mais ampla».
O trabalho foi conduzido no exercício fiscal 2025/26 e os resultados aguardam publicação em periódico internacional com revisão por pares, de modo que a equipe ainda não divulga as concentrações amostra por amostra. Habibul Bari descreveu o levantamento como um estudo piloto que não sustenta conclusões definitivas «sobre o arroz de todos os mercados, de todas as variedades, áreas de produção e safras de Bangladesh».
A irrigação com água subterrânea como porta de entrada
O arsênio ocorre naturalmente no solo e na água subterrânea de partes de Bangladesh, e a irrigação pode levá-lo às lavouras de arroz, onde as plantas o absorvem do solo e da água. O professor SM Imamul Huq, docente aposentado do Departamento de Solo, Água e Meio Ambiente da Universidade de Daca, disse que o consumo prolongado de arsênio em excesso pela alimentação pode ser prejudicial e defendeu a continuidade das pesquisas e maior conscientização sobre o arsênio no arroz em casca e beneficiado.
As concentrações não se distribuem de maneira uniforme no grão. Segundo os pesquisadores, metais pesados podem alcançar níveis relativamente mais altos nas raízes e na palha, e a casca contém mais do que o grão comestível. O risco individual depende do nível do contaminante, da ingestão diária, dos anos de consumo, do peso corporal e da exposição ao mesmo contaminante pela água e por outros alimentos. Indicadores de triagem como o quociente de perigo alvo, o índice de perigo e o risco de câncer alvo não estabelecem, por si sós, que haverá doença ou câncer.
Volume de produção e ingestão diária elevam o que está em jogo
Bangladesh é o terceiro maior produtor mundial de arroz e colheu 46 milhões de toneladas no exercício fiscal 2024/25. O consumo médio diário é de 328,9 g por pessoa, de acordo com a Pesquisa de Renda e Despesa das Famílias do Instituto de Estatística de Bangladesh. Por isso os pesquisadores do BRRI tratam o monitoramento regular do arsênio inorgânico como prioridade, ao mesmo tempo em que afirmam não haver razão para parar de comer arroz ou reduzir o consumo com base em um piloto de 104 amostras.
Md Shafiqul Islam, presidente da Autoridade de Segurança de Alimentos de Bangladesh, disse que estão em curso ações para ampliar o trabalho de segurança alimentar e a conscientização pública sobre contaminantes que permanecem abaixo dos limites toleráveis, acrescentando que apenas a fiscalização não garante a segurança dos alimentos. O órgão atua em coordenação com departamentos e ministérios, incluindo agricultura e pecuária, e o monitoramento abrange também o uso excessivo de agrotóxicos em hortaliças e frutas, o uso de antibióticos na pecuária e na avicultura e a comercialização de safras antes do período de carência prescrito após a aplicação de agrotóxicos.
Beneficiamento, variedades e a próxima rodada de análises
O BRRI definiu os próximos passos: um levantamento nacional mais amplo, monitoramento regular de mercados, análises específicas por região e safra e identificação das origens do arroz com teores comparativamente mais altos de arsênio. A pesquisa seguinte deve cobrir ainda irrigação mais segura, variedades de arroz que absorvam menos arsênio e tecnologias de processamento adequadas.
O grau de polimento traz um dilema à parte. Um grão de arroz é formado por 20 por cento de casca, 8 a 12 por cento de farelo e 68 a 72 por cento de arroz branco ou beneficiado, segundo Md Abdul Alim, professor de engenharia e tecnologia de alimentos da Universidade Agrícola de Bangladesh, com as camadas externas concentrando as maiores quantidades de proteína, gordura, vitaminas e minerais. A análise do BRRI sobre arroz integral e sobre o BRRI dhan28 polido a 5 e a 10 por cento, nas formas parboilizada e não parboilizada, mostrou que proteína, gordura e vitaminas caem rapidamente conforme o polimento aumenta, enquanto só os carboidratos sobem.
O BRRI já desenvolveu 127 variedades modernas de alta produtividade — 117 de linhagem pura e 10 híbridas. O Instituto de Agricultura Nuclear de Bangladesh lançou 25 e a Universidade Agrícola de Bangladesh, três. Um levantamento da Unidade de Planejamento e Monitoramento de Alimentos nos 18 distritos de maior produção de arroz apontou BRRI dhan28, BRRI dhan29, Miniket, Nazirshail e Swarna como as marcas dominantes no mercado.