Argentina bate recorde de esmagamento de girassol antes de salto na oferta mundial
O complexo argentino de girassol mais que dobrou sua receita de exportação entre janeiro e maio e registrou um recorde mensal de esmagamento em março de 2026. Ao mesmo tempo, o USDA prevê produção global recorde de 62,66 milhões de toneladas em 2026/27, cenário que pode ampliar a concorrência e pressionar os preços.
Safra mundial caminha para um recorde
A produção mundial de girassol deve crescer fortemente em 2026/27, enquanto a Argentina entra nesse período com números recordes de processamento e exportação. A Infocampo, citando o relatório de julho da Associação Argentina de Girassol (ASAGIR), informou que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos prevê uma safra global de 62,66 milhões de toneladas. O volume seria 13,4% superior ao da temporada anterior e superaria em 10,2% o recorde de 2021/22.
O esmagamento mundial deve avançar 11,6%, para o máximo histórico de 55,81 milhões de toneladas, graças à maior oferta de matéria-prima. Ucrânia, Rússia e União Europeia devem produzir juntas mais de 43,5 milhões de toneladas, aumento de 6,34 milhões sobre a campanha anterior. A safra russa deve crescer 18,3%, para 20,7 milhões de toneladas; a ucraniana, 18,2%, para 13 milhões; e a da UE, 13,2%, para 9,8 milhões.
A oferta adicional deve permitir a recomposição dos estoques. A relação global entre estoque e consumo de sementes deve subir de 5,7% para 7,5%, enquanto a do óleo de girassol avançaria de 12,5% para 13,5%. Segundo a ASAGIR, a recuperação produtiva pode exercer alguma pressão baixista sobre os preços nos próximos meses.
Exportações e esmagamento aceleram na Argentina
O complexo argentino de girassol gerou US$ 1,6741 bilhão em exportações entre janeiro e maio, segundo dados do Conselho Agroindustrial Argentino elaborados a partir dos números do INDEC. A receita cresceu 126,1% em relação ao ano anterior, ante alta de 17,1% no conjunto das exportações agroindustriais do país. Os produtos de girassol responderam por 7,6% dessas vendas externas.
O processamento também atingiu novas máximas. A Argentina esmagou o recorde mensal de 565 mil toneladas em março de 2026. O volume acumulado de janeiro a maio chegou a 2,322 milhões de toneladas, 32,8% acima do registrado no mesmo período do ano anterior. Os dados indicam que o avanço da receita de exportação foi acompanhado por maior atividade industrial interna e não dependeu apenas dos embarques de sementes sem processamento.
As compras comerciais permaneceram aquecidas. A Secretaria de Agricultura informou que as aquisições da safra 2024/25 somavam 3,94 milhões de toneladas em 1º de julho, alta de 38% em um ano, com apenas 4,8% da produção ainda sem preço fixado. Para 2025/26, as compras já alcançavam 4,34 milhões de toneladas, crescimento anual de 42,5%. A parcela sem preço definido caiu de 11,4% para 8,1%.
Oferta maior amplia a pressão competitiva
O USDA espera que a Argentina produza 8 milhões de toneladas no próximo ciclo, 8,1% acima da estimativa de 7,4 milhões para a temporada atual. A projeção também supera os 6,6 milhões de toneladas calculados pela Bolsa de Cereais de Buenos Aires para 2025/26. As exportações argentinas devem ficar próximas de 1,925 milhão de toneladas na campanha atual e crescer para 2,05 milhões na próxima. Mesmo assim, a participação do país no comércio mundial pode recuar de 14,1% para 13,1%, com a fatia da Rússia avançando de 30,7% para 32% e a Ucrânia concentrando 31,4%.
Os preços seguem elevados, mas as cotações futuras apontam para moderação. A Bolsa de Comércio de Rosário informou preço interno de referência de 667.350 pesos por tonelada em 7 de julho, equivalente a cerca de US$ 451, alta mensal de 5,6%. Os portos de Bahía Blanca e Quequén indicavam aproximadamente US$ 400 por tonelada, enquanto as fábricas da Grande Rosário ofereciam entre US$ 420 e US$ 430 pelo girassol alto oleico. O óleo argentino foi cotado a US$ 1.314 por tonelada FOB para julho, com queda gradual para perto de US$ 1.280 no início de 2027. Em Roterdã, o preço de agosto estava em US$ 1.475 por tonelada, e as posições mais longas se aproximavam de US$ 1.345. A recuperação do Mar Negro colocará à prova as margens e a participação argentina justamente quando suas indústrias processam volumes recordes.
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