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Argentina eleva em 875,4% exportações de semente de girassol e fatura US$2,075 bilhões

O valor das exportações argentinas de semente de girassol cresceu 875,4% no primeiro semestre de 2026, impulsionado principalmente pelo aumento de 754,5% nos volumes. A receita de todo o complexo atingiu o recorde de US$2,075 bilhões, com compradores buscando oferta após a fraca safra do Hemisfério Norte.

Argentina eleva em 875,4% exportações de semente de girassol e fatura US$2,075 bilhões

Embarques de semente impulsionam semestre excepcional

O valor das exportações argentinas de semente de girassol aumentou 875,4% no primeiro semestre de 2026 ante igual período do ano anterior, segundo o relatório mais recente de complexos exportadores do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). Os volumes cresceram 754,5%, enquanto os preços avançaram 14,1%. O salto foi, portanto, explicado principalmente pela expansão física dos embarques.

O crescimento superou amplamente o registrado por outros produtos agropecuários importantes. No mesmo período, o índice de valor exportado subiu 43,1% para o trigo, 6,7% para o milho e 43,2% para a carne bovina. As exportações de óleo de girassol avançaram 84,6% em valor, com alta de 56,9% nas quantidades e de 17,6% nos preços.

Complexo atinge recorde de US$2,075 bilhões

As exportações totais do complexo do girassol chegaram a US$2,075 bilhões, aumento de 128,7% sobre os US$907 milhões do primeiro semestre de 2025. Segundo o Indec, foi o maior resultado para uma primeira metade do ano em toda a série 2002-2026. O girassol tornou-se o oitavo maior complexo exportador da Argentina e respondeu por 4,2% das vendas externas de bens do país.

O óleo de girassol permaneceu como o principal produto, com 64,1% da receita externa do complexo. As sementes responderam por 27,9%, ou cerca de US$580 milhões, e os farelos e pellets por 8%. Jorge Ingaramo, economista da Associação Argentina de Girassol (Asagir), disse ao La Nación que o óleo continua central porque seu preço de exportação determina o valor pago aos produtores locais pela semente.

Escassez redireciona a demanda europeia

Ingaramo atribuiu a expansão ao aumento da produção argentina e à menor disponibilidade de matéria-prima entre fornecedores tradicionais. A Argentina havia registrado recentemente seus maiores níveis do século em área plantada, rendimento de grãos por hectare e rendimento de óleo no processamento. Ao mesmo tempo, a safra ruim do Hemisfério Norte deixou indústrias europeias com pouca semente, levando-as a comprar mais grão não processado na Argentina.

A Índia recebeu US$725 milhões em produtos do complexo, a União Europeia comprou US$590 milhões e o grupo classificado como restante da Associação Latino-Americana de Integração adquiriu US$165 milhões. Juntos, os três destinos concentraram 51,6% das vendas externas. O aumento das compras de semente é relevante para uma cadeia cujas exportações foram historicamente dominadas pelo óleo.

Preços firmes estimulam plantio e processamento

O mercado internacional continua influenciado pela ruptura que se seguiu à guerra entre Rússia e Ucrânia. Segundo Ingaramo, os dois países representavam 55% da produção mundial de semente e 80% das exportações de óleo de girassol quando a guerra começou. Desde então, os preços internacionais, especialmente os do óleo, permanecem cerca de 40% acima dos níveis anteriores ao conflito. Como a última safra do Hemisfério Norte foi fraca e a nova oferta só chegará em outubro, a Argentina poderá aproveitar os preços firmes até lá.

Os produtores elevaram a intenção de plantio de 2,85 milhões para 3 milhões de hectares, e as primeiras áreas já foram semeadas no norte argentino. Novas capacidades industriais também estão sendo adicionadas. Se a produção se aproximar dos 7 milhões de toneladas projetados pela Bolsa de Cereais de Buenos Aires, Ingaramo espera que a Argentina se torne a terceira maior exportadora mundial de óleo de girassol, com cerca de 13%-14% do mercado. As exportações argentinas de bens alcançaram US$49,511 bilhões no semestre, alta de 24,6%, com aumento de 9% nos preços e de 14,2% nos volumes.

Análise completa do mercado

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