Área de arroz na Grécia cai até 29% sob pressão de custos e importações
A área de arroz no norte da Grécia deverá cair 22%-29%, para 220.000-240.000 stremmas, depois de os custos superarem a receita em cerca de 30%. As importações da UE atingiram 1,7 milhão de toneladas, ampliando a pressão sobre produtores e processadores.
Área plantada diminui no norte da Grécia
A área de arroz no norte da Grécia, onde se concentra a maior parte da produção nacional, deverá cair neste ano para 220.000-240.000 stremmas, ante mais de 300.000 no ano anterior. Representantes do setor estimam uma redução de 22%-29%, segundo News247 e Newsit.
Kostas Giannopoulos, diretor-geral da União das Cooperativas Agrícolas de Salônica, associou a queda ao aumento dos custos de energia e insumos, aos preços menores pagos ao produtor, às importações de países terceiros e às dúvidas sobre a rapidez dos mecanismos europeus de salvaguarda. Em algumas áreas, entre 2% e 3% da terra disponível poderá ficar sem cultivo, em vez de receber outra cultura, informou o News247.
Custos superam a receita da lavoura
Giannopoulos estimou que os custos de produção ficaram cerca de 30% acima da receita do cultivo. Um auxílio de minimis de €70 por stremma compensou parte da perda, mas não recuperou a rentabilidade. Vasileios Koukourikis, presidente da Segunda Cooperativa de Chalastra, afirmou que o preço recebido pelos produtores caiu de €0,32 para €0,25 por quilograma.
Os fertilizantes, que custavam aproximadamente €400-€600 por tonelada, chegaram a €800-€1.000, segundo Christos Tsichitas, presidente da União das Cooperativas Agrícolas de Salônica. Koukourikis disse que 100 litros de diesel custam cerca de €220, valor semelhante ao de uma tonelada de arroz. A devolução do imposto especial sobre o diesel agrícola e o apoio público aos fertilizantes não cobrem todo o aumento dos encargos, afirmou Tsichitas.
Importações da UE elevam a pressão
Dados apresentados no programa EU RICE mostram que as importações de arroz da União Europeia alcançaram aproximadamente 1,7 milhão de toneladas no último período comercial, com cerca de 60% entrando sem tarifa. Camboja e Myanmar forneceram juntos 550.000 toneladas com isenção total. O Newsit informou que 500.000 toneladas eram de arroz processado e embalado em formatos de 5 a 20 quilogramas, ampliando a concorrência também para a indústria europeia.
A salvaguarda da UE acordada no trílogo de 1 de dezembro de 2025 prevê medidas quando as importações alcançarem 561.000 toneladas. Esse limite está 45% acima da média da década anterior. Os produtores haviam proposto um teto de crescimento de 20%, enquanto a proposta inicial do Conselho previa ativação em 750.000 toneladas. Giannopoulos afirmou que as importações abrangidas já chegaram a 550.000 toneladas.
Exportações e zonas úmidas também ficam expostas
Tsichitas estima a produção grega de arroz em cerca de 150.000 toneladas, diante de um consumo interno de aproximadamente 50.000 toneladas. O restante segue para mercados externos, de modo que a redução da área atinge exportadores e cooperativas que investiram em armazenagem, secagem e embalagem. A Primeira Cooperativa Agrícola de Chalastra investiu cerca de €5 milhões nessa infraestrutura nos últimos sete anos; possui aproximadamente 500 membros registrados e faturou cerca de €22 milhões em 2024.
A contração também traz consequências ambientais. Os arrozais funcionam sazonalmente como zonas úmidas e abrigam numerosas espécies, sobretudo em regiões como o delta do Axios. Uma área menor pode afetar a economia agrícola e a gestão desses ecossistemas, enquanto os produtores também precisam reduzir o consumo de água e de insumos químicos. O teste para o mercado será saber se custos menores, preços mais fortes ao produtor ou salvaguardas comerciais mais eficazes conseguirão evitar uma nova retração.