Anchoveta peruana sustenta uma cadeia de exportação de farinha de peixe de US$ 1,41 bilhão
A segunda temporada de anchoveta de 2024 no Peru rendeu 2,42 milhões de toneladas e mais de 680 mil toneladas de farinha e óleo de peixe, movimentando mais de US$ 1,41 bilhão em exportações. A China absorveu quase 90% da farinha peruana, mostrando como clima, cotas e um comprador dominante moldam uma indústria de peso mundial.
O Peru consolidou sua posição no centro do mercado mundial de farinha e óleo de peixe, produtos elaborados quase inteiramente a partir da anchoveta, um pequeno peixe do Pacífico pouco presente na mesa dos peruanos, mas processado em grande volume para exportação. Segundo o portal brasileiro ClickPetroleoeGas, o país combina um recurso marinho abundante com uma estrutura industrial voltada ao processamento, temporadas de pesca controladas e uma produção que responde diretamente às condições do oceano e às autorizações oficiais de captura.
Temporada recorde eleva a produção de farinha
Durante a segunda temporada de pesca de 2024, na região centro-norte do litoral peruano, as embarcações capturaram 2,42 milhões de toneladas de anchoveta, mais de 95% da cota de 2,51 milhões de toneladas. Os números do Ministério da Produção do Peru mostram que a temporada gerou mais de 680 mil toneladas de farinha e óleo de peixe.
A mesma safra movimentou mais de US$ 1,41 bilhão em exportações, enquanto o governo peruano estimou cerca de 49 mil empregos diretos e indiretos ligados à atividade. A escala milionária aparece sobretudo no volume de anchoveta retirado do mar; a quantidade exportada corresponde aos produtos processados, uma diferença importante para ler os dados de captura, produção e comércio.
China absorve quase 90% das exportações
O peso do Peru no comércio mundial ficou especialmente visível após a recuperação de 2024. As exportações de farinha de peixe chegaram a 885 mil toneladas nos primeiros nove meses, contra 460 mil toneladas no mesmo período de 2023. Segundo análise publicada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a China recebeu 771 mil toneladas do produto peruano nesse intervalo, mais do dobro das 360 mil toneladas importadas um ano antes.
Com esse avanço, o mercado chinês absorveu quase 90% das exportações peruanas de farinha de peixe no período, acima dos cerca de 80% que a China costuma comprar em anos normais. A China também respondeu por cerca de 40% das importações mundiais de farinha de peixe em 2024. Essa concentração oferece uma demanda de grandes proporções, mas prende a cadeia peruana a um único comprador dominante, sobretudo quando a recuperação das capturas amplia rapidamente a oferta disponível.
Clima e cotas definem o teto
A força econômica da atividade convive com uma vulnerabilidade permanente às condições ambientais, porque mudanças na temperatura e na circulação das águas do Pacífico podem alterar a distribuição da anchoveta e limitar o volume disponível para as temporadas industriais. Em 2023, capturas fracas no Peru contribuíram para uma queda de 23% na produção mundial de farinha de peixe e de 21% na de óleo, segundo o levantamento da FAO sobre o comércio internacional desses produtos.
As condições desfavoráveis continuaram no início de 2024, mas perderam intensidade com o enfraquecimento do El Niño, permitindo a recuperação das operações na região centro-norte e um elevado aproveitamento das cotas das duas temporadas. Com o retorno da oferta peruana, os estoques internacionais ganharam estabilidade e a pressão sobre os preços diminuiu, embora a produção de óleo de peixe tenha permanecido limitada por rendimentos reduzidos no Peru e no Chile. A FAO aponta a anchoveta como a principal matéria-prima mundial para farinha e óleo de peixe, de modo que as oscilações da pesca peruana ultrapassam as fronteiras nacionais.
Para administrar o recurso, o governo determina limites de captura e períodos específicos de operação, como na temporada iniciada em 1º de novembro de 2024, quando a frota foi autorizada a retirar até 2,51 milhões de toneladas. A captura efetiva de 2,42 milhões de toneladas mostrou elevado aproveitamento da cota, e o Ministério da Produção afirmou que as decisões se baseiam em estudos científicos e no monitoramento permanente do estoque.