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Alta das memórias reduz vantagem dos smartphones chineses na Índia

O aumento do custo das memórias está afastando as marcas chinesas de smartphones de sua tradicional faixa indiana abaixo de 150 dólares. As remessas caem, enquanto Apple e Samsung ganham participação apoiadas por opções de financiamento.

Alta das memórias reduz vantagem dos smartphones chineses na Índia

Smartphones de entrada perdem sua referência de preço

A alta dos preços dos chips de memória está alterando o equilíbrio competitivo na Índia, o segundo maior mercado mundial de smartphones em volume. Fabricantes chineses ocupam quatro das cinco primeiras posições, apoiados em aparelhos com muitos recursos para consumidores atentos ao preço. Esse modelo está sob pressão porque o custo dos componentes dificulta a manutenção de preços abaixo de 150 dólares.

Neil Shah, cofundador da Counterpoint Research, disse à CNBC que, depois do esgotamento dos estoques atuais, novos modelos chineses com especificações semelhantes às dos antigos aparelhos abaixo de 150 dólares poderão custar entre 200 e 250 dólares. Dados da Counterpoint mostram que as marcas da categoria abaixo de 150 dólares já elevaram seus preços em até 40%. A empresa afirma que os preços dos chips de memória quadruplicaram desde setembro de 2025 e devem subir mais nos próximos meses.

Remessas caem e preço médio bate recorde

A IDC informou que as remessas de smartphones na Índia recuaram 7,9% em relação ao ano anterior, para 64,2 milhões de unidades, no primeiro semestre de 2026. A faixa de entrada registrou uma contração especialmente forte. Ainda assim, o valor do mercado cresceu 3,6%, enquanto o preço médio de venda alcançou o recorde de 315 dólares. Segundo a IDC, os fabricantes chineses tiveram dificuldade para convencer consumidores sensíveis a preços a aceitar os novos valores.

A pressão atingiu os principais fornecedores chineses no trimestre encerrado em junho. De acordo com a IDC, as remessas da Vivo caíram 13,9% em relação ao ano anterior, as da Oppo 8,5%, as da Xiaomi 10% e as da Realme 14,2%. Posicionada em uma faixa mais alta, a OnePlus registrou o menor recuo entre as grandes marcas chinesas, de 2,5%. Em comparação, as remessas da Samsung cresceram 0,4% e as da Apple, 0,7%. Upasana Joshi, gerente sênior de pesquisa da IDC, afirmou que a escassez mundial de memória atingiu com maior força a demanda de entrada, segmento do qual as marcas chinesas mais dependem.

Apple e Samsung ganham espaço competitivo

A participação da Samsung aumentou quase 200 pontos-base no trimestre de junho e a da Apple avançou 100 pontos-base, segundo a IDC. A fatia da Vivo caiu 60 pontos-base nos dados da IDC e 140 pontos-base nas estimativas da Counterpoint, reduzindo sua vantagem sobre a Samsung. O iPhone 17 foi o modelo individual com mais remessas na Índia tanto no primeiro quanto no segundo trimestre de 2026.

A Samsung ocupa uma posição especialmente favorável porque seu portfólio indiano vai de 200 a mais de 800 dólares e compete diretamente com a Vivo na faixa de 200 a 300 dólares. O grupo sul-coreano também tem acesso a memória produzida internamente. A Vivo e outros fabricantes chineses dependem de fornecedores como MediaTek, SK Hynix e Samsung, explicou Shah. Algumas empresas migraram para chips da UNISOC e da CXMT quando os preços começaram a subir no ano passado, mas Shah considera essa solução insustentável. A CXMT captou recursos para ampliar a capacidade voltada ao mercado chinês de inteligência artificial e centros de dados, direcionando recursos para produtos de maior valor. À medida que os aparelhos de entrada se aproximam dos preços intermediários, melhores opções de financiamento tornam os modelos premium mais acessíveis. Assim, a vantagem de preço das marcas chinesas diminui e o mercado potencial de Apple e Samsung cresce, mesmo com a contração do volume total.

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