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Alta do carvão coque reduz margens das siderúrgicas indianas

O carvão coque duro premium teve preço médio de 236 dólares por tonelada FOB Austrália nos primeiros sete meses de 2026, alta anual de 25%. Interrupções na Austrália e na China, o conflito no Oriente Médio e fretes mais caros elevam os custos da siderurgia indiana.

Alta do carvão coque reduz margens das siderúrgicas indianas

Interrupções elevam os preços do carvão

As siderúrgicas indianas enfrentam nova pressão sobre as margens, à medida que problemas nos principais mercados de carvão coque elevam os custos de matéria-prima e transporte. O carvão coque duro premium teve preço médio de 236 dólares por tonelada FOB Austrália nos primeiros sete meses de 2026, 25% acima do ano anterior, afirmou à Reuters Banmeet Khurmi, especialista em carvão metalúrgico da CRU, em reportagem publicada pela BusinessLine.

Khurmi atribuiu a alta a interrupções na Austrália, ao avanço mais lento que o esperado de novas minas, ao conflito no Oriente Médio e a um grave acidente de mineração em Shanxi, na China. Freddie Brooks, analista de commodities da BMI, empresa da Fitch Solutions, espera que os custos permaneçam elevados no segundo semestre, em parte pela perda de oferta após o desastre em Shanxi.

O aumento afeta diretamente a economia dos altos-fornos. Segundo um executivo de uma grande usina citado pela Reuters, cada alta de 10 dólares por tonelada no carvão coque adiciona aproximadamente 7-9 dólares por tonelada ao custo de produção do aço. O insumo já representa quase 40% dos custos siderúrgicos da Índia.

Dependência de importações amplia a pressão

A Índia é a segunda maior produtora mundial de aço bruto, atrás da China, mas importa 95% do carvão coque que consome. A Austrália fornece pelo menos metade desse volume, deixando as usinas indianas expostas ao desempenho das minas australianas e aos preços marítimos. A BigMint prevê que as importações indianas aumentem em 2-3 milhões de toneladas em 2026-27, ante 64 milhões de toneladas no ano anterior.

A maior demanda por importações coincide com uma logística mais cara. Hui Ting Sim, vice-presidente da Moody's Ratings, afirmou que os fluxos comerciais ficaram mais apertados devido à forte demanda indiana e ao aumento dos custos de diesel, frete e seguro. As interrupções ligadas à guerra entre Estados Unidos e Irã adicionam outra camada de custos para compradores dependentes de longas rotas marítimas.

As siderúrgicas têm pouco espaço para repassar essas despesas aos preços do aço. Três executivos de grandes produtoras disseram à Reuters que as margens diminuíram, enquanto a concorrência do aço chinês barato limita os reajustes. Os embarques chineses aumentaram apesar das tarifas indianas sobre a importação de algumas categorias de aço.

Usinas procuram fornecedores alternativos

A Austrália deve continuar atendendo pelo menos metade da necessidade indiana, embora os volumes da Rússia, de Moçambique e dos Estados Unidos também devam aumentar. O carvão russo respondeu por 24% das importações indianas de carvão coque nos últimos anos, mas a CRU informou que os descontos diminuíram durante os dois últimos anos.

A BMI prevê que Moçambique acabará superando Estados Unidos e Rússia como o segundo maior fornecedor da Índia, atrás da Austrália. Steel Authority of India e JSW Steel estão entre as empresas que recorrem ao país africano. A Índia também tenta acessar o carvão da Mongólia, mas os desafios logísticos dificultam essa alternativa. A diversificação reduz a exposição a fornecedores individuais, porém não protege totalmente contra a alta global dos preços. Margens persistentemente comprimidas podem frear investimentos e atrasar expansões de capacidade quando a infraestrutura e o crescimento econômico sustentam a demanda doméstica.

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