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Mercado de alimentos veganos para pets pode chegar a US$ 2 bilhões até 2032

O mercado global de alimentos veganos para pets pode avançar de cerca de US$ 1 bilhão para US$ 2 bilhões até 2032, segundo a Data Bridge Market Research. Fabricantes e varejistas ampliam a oferta apesar das dúvidas veterinárias sobre proteínas, digestibilidade e nutrientes essenciais.

Mercado de alimentos veganos para pets pode chegar a US$ 2 bilhões até 2032

Um nicho com crescimento de dois dígitos

As vendas globais de alimentos veganos para cães e gatos somam hoje cerca de US$ 1 bilhão e podem alcançar US$ 2 bilhões até 2032, segundo dados da Data Bridge Market Research publicados pela ItaliaOggi. O segmento continua pequeno dentro da indústria de alimentos para pets, mas o crescimento de dois dígitos estimula fabricantes e varejistas a ampliar as linhas de ração seca vegetal e de outros produtos.

A oferta comercial já ultrapassa os canais especializados de comércio eletrônico. Na Itália, a Amì Pet Food fabrica alimentos 100% vegetais para cães e gatos desde 2002. Produtos veganos para pets também são vendidos pela Arca Planet e por algumas grandes redes de supermercados. Esses canais aproximam a categoria do consumidor comum, embora a aceitação ainda seja limitada.

Veterinários questionam a adequação nutricional

Deborah Fratucello, veterinária ligada à Fnovi, disse à ItaliaOggi que não apoia essa categoria, sobretudo quando os tutores seguem uma tendência. Ela afirmou que cães e gatos são carnívoros e que fontes de proteína não animal têm menor valor biológico e são mais difíceis de digerir. Questões ambientais e éticas podem influenciar os tutores, mas são as pessoas que determinam a dieta dos animais dependentes delas.

Parte da literatura científica reforça essas preocupações. Um estudo publicado no Journal of the American Veterinary Medical Association encontrou, em várias dietas vegetarianas comerciais, concentrações de proteína e aminoácidos essenciais abaixo dos mínimos recomendados. A questão é especialmente sensível para gatos, que são carnívoros obrigatórios e não conseguem sintetizar taurina por conta própria. Um caso clínico documentado pela Universidade de Toulouse identificou múltiplas deficiências em dois gatos alimentados com dieta vegana.

Pesquisas divergentes elevam o risco comercial

Os estudos, porém, não apontam para uma única direção. Pesquisas do veterinário britânico Andrew Knight associaram dietas veganas nutricionalmente completas a indicadores de saúde de cães iguais ou até superiores aos das dietas convencionais. A ItaliaOggi observa, contudo, que boa parte desses dados é observacional e foi obtida por questionários respondidos pelos tutores, e não por ensaios clínicos randomizados e controlados com exames de sangue sistemáticos.

A oportunidade comercial precisa ser comparada ao tamanho do mercado convencional e à baixa aceitação entre consumidores. O mercado italiano total de alimentos para pets vale € 4,2 bilhões, segundo o relatório Assalco-Zoomark 2026 citado pela ItaliaOggi. Dados da Fediaf colocam o mercado europeu acima de € 29 bilhões, atendendo 306 milhões de animais de companhia em 140 milhões de domicílios, ou 49% do total. Ainda assim, uma pesquisa com 8.800 participantes publicada na Frontiers in Veterinary Science mostrou que apenas 7,5% dos tutores de cães e 3% dos tutores de gatos consideram a dieta vegana adequada à espécie. O avanço para US$ 2 bilhões dependerá da capacidade dos fabricantes de converter a demanda ética em produtos nutricionalmente completos, sobretudo para gatos. Padrões claros de formulação e evidências clínicas mais robustas definirão se a categoria poderá sair do nicho atual.

Análise completa do mercado

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