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Algodão em pluma acumula alta em setembro com oferta restrita no mercado interno

As cotações do algodão em pluma oscilam no mercado brasileiro, mas acumulam alta na parcial de setembro. Segundo o Cepea, o movimento reflete a postura firme de parte dos vendedores e a oferta limitada no mercado spot nacional. Dados da Secex mostram embarques de 106,35 mil toneladas em agosto e 2,075 milhões de toneladas de janeiro a agosto.

Algodão em pluma acumula alta em setembro com oferta restrita no mercado interno

As cotações do algodão em pluma no Brasil oscilaram nos dois sentidos na primeira metade de setembro, mas mantêm alta acumulada no mês, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Os pesquisadores do centro atribuem o movimento à postura firme de parte dos vendedores e à disponibilidade limitada no mercado spot nacional.

Contratos antecipados esvaziam o mercado spot

Boa parte dos agentes está concentrada no cumprimento de contratos firmados antecipadamente, o que deixa pouca pluma livre para novas negociações. Sem pressão para escoar volume, os vendedores podem esperar por ofertas melhores em vez de ceder no preço para fechar negócio.

A comercialização no mercado doméstico segue pontual. O Regiao News, com base no Cepea, aponta dificuldade de alinhamento entre as partes, com divergências que envolvem tanto os preços quanto a qualidade do produto ofertado. Num mercado tão apertado, a qualidade pesa por si só: o spot concentra sobretudo lotes residuais, cuja fibra nem sempre atende às especificações buscadas pelos compradores, e isso basta para travar uma operação independentemente do preço em discussão.

Queda dos preços internacionais amplia a cautela

A firmeza interna não encontra confirmação no exterior. As quedas recentes nos preços internacionais deixaram compradores e vendedores mais cautelosos no Brasil, e os pesquisadores do Cepea afirmam que os agentes têm postergado novas operações enquanto aguardam sinais mais claros sobre o comportamento do mercado externo.

O resultado é um mercado em duas trilhas: a oferta restrita empurra os valores internos para cima, enquanto a referência externa em baixa aponta na direção oposta. Enquanto a contradição não se resolve, poucos agentes querem comprometer volume nos níveis atuais.

Embarques de agosto caem ante julho, mas superam 2025

As exportações brasileiras de algodão em pluma somaram 106,35 mil toneladas em agosto de 2026, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O volume ficou 31,4% abaixo do registrado em julho, mas 37,3% acima de agosto de 2025.

  • Embarques de agosto de 2026: 106,35 mil toneladas
  • Variação ante julho de 2026: menos 31,4%
  • Variação ante agosto de 2025: mais 37,3%
  • Janeiro a agosto de 2026: 2,075 milhões de toneladas

No acumulado de janeiro a agosto, as exportações chegaram a 2,075 milhões de toneladas. Os pesquisadores do Cepea destacam que, mesmo restando quatro meses para o encerramento de 2026, o volume já corresponde ao quarto maior registrado em um ano completo na série histórica da Secex.

O acumulado de oito meses equivale a uma média aproximada de 259 mil toneladas embarcadas por mês, o que coloca as 106,35 mil toneladas de agosto bem abaixo do ritmo do início do ano. Para os exportadores, a comparação anual é a mais informativa: em agosto embarcou-se mais de um terço a mais de pluma do que no mesmo mês de 2025, e o resultado de janeiro a agosto coloca o Brasil na rota de um dos seus anos exportadores mais fortes, mesmo com a desaceleração mensal.

Para a cadeia interna, os dois conjuntos de dados se encaixam. São justamente os compromissos de venda para exportação que retiram pluma do spot nacional e deixam beneficiadoras e fiações brasileiras disputando uma oferta residual estreita. É isso que sustenta as cotações internas em setembro mesmo com os valores internacionais em queda.

Análise completa do mercado

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