Agricultores poloneses retêm grãos: trigo nos portos supera 1.000 zlotys por tonelada
O trigo nos pontos de compra próximos aos portos do Báltico atingiu e em alguns locais superou 1.000 zlotys por tonelada, enquanto as cotações no sul da Polônia seguem bem mais baixas. Segundo o farmer.pl, a oferta é mínima porque os produtores adiam as vendas, e os custos de combustível e gás absorvem parte do prêmio. O Credit Agricole projeta cerca de 90 zlotys por quintal no fim de 2026.
As entregas de grãos nos pontos de compra poloneses diminuíram bastante porque os agricultores adiam as vendas à espera de preços mais altos, informou o farmer.pl em seu levantamento de preços de 22 de setembro de 2026. Nas regiões do norte, próximas aos portos, o trigo se aproxima de 1.000 zlotys por tonelada e em alguns locais supera esse nível, enquanto no sul do país as cotações são bem menores. Os produtores perguntam os preços, observa a publicação, mas seguram a mercadoria.
O combustível separa o mercado por região
O farmer.pl atribui a diferença regional sobretudo aos preços dos combustíveis, que continuam subindo e se refletem diretamente no custo de levar o grão aos terminais do Báltico. Quanto mais distante do porto está a propriedade, maior a parcela do preço anunciado consumida pela logística.
O segundo fator é o prazo. Os níveis cotados nesta semana costumam se referir à retirada em novembro, o que também adia o pagamento. Na comparação com a semana anterior, o levantamento mostra quedas leves, de até 10 zlotys por tonelada. São preços líquidos, coletados por telefone junto a pontos de compra individuais, e referem-se em sua maioria a grão da nova safra.
A conta da secagem acompanha o preço do gás
As oleaginosas seguem como a parte mais firme do mercado. A colheita de girassol vem sendo interrompida pela chuva e o produto sai da lavoura com 11% a 12% de umidade, contra os 9% exigidos para armazenagem. Aos preços atuais do gás, reduzir cada ponto percentual de umidade custa cerca de 30 zlotys por tonelada, despesa que recai diretamente sobre o produtor e explica a diferença entre as cotações do milho seco e do úmido.
- Trigo: acima de 1.000 zlotys por tonelada nos pontos do norte próximos aos portos, bem menos no sul
- Colza: até 2.400 zlotys por tonelada
- Soja: 1.960 zlotys por tonelada, atualmente em colheita
- Girassol: 1.920 zlotys por tonelada
- Milho: cerca de 900 zlotys por tonelada seco e cerca de 640 zlotys por tonelada úmido
Credit Agricole projeta tendência de alta até 2027
A edição de outono de 2026 do trimestral do agronegócio Agromapa, elaborado por analistas do Banku Credit Agricole, avalia que, com a redução dos estoques mundiais, os preços seguirão tendência de alta nos próximos trimestres e permanecerão mais sensíveis a notícias sobre perspectivas de safra e de comércio. O banco projeta o trigo na Polônia em cerca de 90 zlotys por quintal (100 kg) e o milho em cerca de 80 zlotys por quintal no fim de 2026, o equivalente a aproximadamente 900 e 800 zlotys por tonelada, e cerca de 95 e 90 zlotys por quintal no fim de 2027.
Para a colza, o Agromapa indica preço de compra de cerca de 2.350 zlotys por tonelada no fim de 2026 e de cerca de 2.450 zlotys por tonelada no fim de 2027. O Credit Agricole aponta como principais riscos das duas projeções as condições agrometeorológicas nos grandes países produtores e exportadores, as próximas estimativas da produção mundial de oleaginosas na safra 2026/2027 e a evolução da situação na região do mar Negro e no Oriente Médio.
Logística travada no mar Negro leva compradores à UE
O pregão de 21 de setembro de 2026 trouxe mudança clara nos mercados agrícolas mundiais: os contratos futuros de grãos e oleaginosas em Chicago e em Paris encerraram o dia em alta firme após quedas anteriores, sustentados principalmente pela recuperação da demanda de exportação por grãos norte-americanos e pela incerteza em torno do mar Negro. O movimento ocorreu apesar da pressão do mercado de energia: no mesmo dia, o WTI caiu 4,51% e o Brent, 3,40%. Analistas citados pelo farmer.pl explicam que, nas condições atuais, a disponibilidade física da mercadoria, as exportações e a demanda mundial pesam mais nas cotações agrícolas do que a direção do petróleo.
Rússia e Ucrânia registram safras elevadas em 2026, mas isso não significa automaticamente grande oferta disponível no mercado mundial: ataques à infraestrutura portuária e energética e a incerteza da logística de grãos continuam dificultando as exportações. Parte dos importadores passa então a olhar mais para a União Europeia, entre eles o Egito, que direciona consultas de trigo a fornecedores como França, Romênia e Bulgária. O balanço do milho é outro suporte: a UE enfrenta déficit do cereal, enquanto as projeções do USDA apontam falta global de cerca de 30 milhões de toneladas, cenário que o farmer.pl considera favorável aos produtores poloneses diante das perspectivas da safra local.