Agricultores poloneses avaliam compra de fertilizantes após forte queda das importações
Os fertilizantes continuam caros na Polônia antes da semeadura de outono, apesar do recuo recente dos preços europeus dos nitrogenados. As importações polonesas desses produtos de fora da UE caíram de 867.600 para 75.600 toneladas no primeiro semestre de 2026, enquanto restrições à exportação ampliam o risco de oferta.
Preços recuam, mas seguem bem acima de janeiro
Os agricultores poloneses se aproximam do próximo período de semeadura com fertilizantes ainda caros e disponibilidade desigual entre as regiões. Segundo dados da Comissão Europeia citados pela top agrar, os preços dos fertilizantes nitrogenados na UE caíram 2,3% em relação ao mês anterior em maio e mais 10,2% em junho. A correção ocorreu depois de uma alta acumulada de 33,2% em março e abril, quando os preços chegaram a €554 por tonelada, o maior nível desde janeiro de 2023.
A queda não levou o mercado de volta ao ponto inicial. Em junho, o preço médio dos fertilizantes nitrogenados estava 22,4% acima de janeiro e 32,8% acima do ano anterior. Os fertilizantes fosfatados continuaram subindo, embora em ritmo menor que na primavera, e ficaram 20,1% acima do início do ano e 21,5% acima do mesmo período de 2025.
Importações polonesas despencam
A redução das importações aumenta a pressão sobre o mercado europeu. De acordo com números de Arkadiusz Zalewski publicados pela top agrar, os países da UE importaram 1,84 milhão de toneladas de fertilizantes nitrogenados de fora do bloco no primeiro semestre de 2026, ante 5,8 milhões de toneladas um ano antes. Na Polônia, a queda foi ainda mais acentuada, de 867.600 para 75.600 toneladas. A reportagem relaciona esse movimento à implementação completa do Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira e às tarifas mais altas sobre produtos da Rússia e de Belarus, novamente elevadas em 1º de julho.
Uma pesquisa com vendedores de diferentes regiões polonesas mostrou ampla variação de preços. Em 5 de agosto de 2026, o preço líquido da ureia ia de cerca de 2.200 a mais de 3.200 PLN por tonelada. O nitrato de amônio custava entre 1.620 e mais de 2.100 PLN, enquanto a solução de ureia e nitrato de amônio a 32% era oferecida entre 1.560 e quase 1.900 PLN por tonelada. A Polifoska 5 custava geralmente 2.400–2.600 PLN por tonelada e a Polifoska 6, 2.700–2.820 PLN.
O preço não é a única restrição. Distribuidores relataram falta de vários produtos, principalmente ureia com inibidor, solução de ureia e nitrato de amônio e determinados fertilizantes compostos. Essas lacunas podem dificultar as compras antes da semeadura de outono. O gás natural caro e o alto custo das importações sustentam os preços, mas a pressão sobre os cereais limita a capacidade de pagamento dos produtores. Alguns revendedores agrícolas oferecem descontos para estimular a demanda, ampliando o intervalo entre as cotações.
Políticas de exportação ampliam os riscos globais
Medidas internacionais aumentam a incerteza. A China prorrogou pelo menos até agosto de 2026 as restrições às exportações de DAP, MAP e alguns fertilizantes NPK, enquanto a Rússia mantém cotas para nitrogenados e fosfatados. A Índia suspendeu as exportações de enxofre, segundo participantes do mercado citados pela top agrar, para proteger o abastecimento da produção doméstica de fertilizantes. O preço contratual do enxofre em Tampa atingiu o recorde de $705 por tonelada em julho. O Egito substituiu sua taxa fixa de $90 por tonelada exportada de fertilizante nitrogenado por uma tarifa equivalente a 10% do valor do produto.
Novas capacidades podem aliviar faltas regionais no futuro, mas não afetam a decisão imediata. O complexo de amônia e ureia planejado para Soyo, em Angola, exigirá $1,4 bilhão, deve iniciar operações em 2027 e produzir cerca de 1,3 milhão de toneladas de ureia por ano. O México desenvolve as fábricas de fertilizantes nitrogenados Fermachem e GPO, com investimento conjunto superior a $3,2 bilhões. Os compradores poloneses precisam escolher entre adquirir produtos a preços muito acima dos níveis do início de 2026 ou correr o risco de que barreiras comerciais e estoques locais insuficientes tornem a oferta de outono mais cara ou difícil de obter.