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Agricultores cazaques abandonam o trigo mole diante do grão russo mais barato

Os produtores de grãos do Cazaquistão estão deixando de semear trigo mole porque o grão russo, mais barato, derrubou os preços internos, informa o Pravda.ru. As fazendas migram para o trigo duro e para culturas de nicho voltadas à Europa, onde a seca na UE e na Turquia criou um déficit. Um julho quente e sem chuvas reduziu ainda mais as expectativas de receita.

Agricultores cazaques abandonam o trigo mole diante do grão russo mais barato

Os agricultores do Cazaquistão estão deixando de semear trigo mole porque a cultura parou de dar lucro: o grão russo, mais barato, desloca a produção cazaque do mercado interno, informa o Pravda.ru. Os produtores migram para o trigo duro e para culturas de nicho voltadas a compradores europeus, enquanto um julho quente e sem chuvas já reduziu o que as fazendas esperam faturar nesta safra.

Grão russo mais barato empurra o trigo mole para fora

O Pravda.ru aponta a vizinhança com a Rússia como causa principal. O grão russo custa menos para produzir, e essa diferença de custo tira o produto cazaque do mercado. Quem não consegue igualar esse preço fica sem espaço em uma cultura na qual o comprador decide apenas pelo custo.

A resposta é mudar o ciclo de produção, não fazer um ajuste marginal. No lugar das culturas tradicionais, as fazendas semeiam trigo duro e culturas de nicho com demanda na Europa. O objetivo declarado é reduzir a dependência da concorrência de preços com a Rússia e elevar a margem do negócio. Trigo mole e trigo duro atendem usos finais e compradores diferentes, de modo que a troca tira a fazenda do segmento em que a oferta russa define o preço.

Uma safra no prejuízo e a saída completa

O caso da Eurasia Farm Innovations ilustra a tendência, segundo a reportagem. Kairat Bissetaiev, dirigente da empresa, afirmou que a fazenda semeou trigo mole por uma safra em 2024 e que essa foi a única cultura deficitária do portfólio. Em 2025, a companhia abandonou o trigo mole por completo em favor do trigo duro.

Uma safra é uma base estreita, mas as decisões de plantio são tomadas todo ano, então um sinal de preço aparece na área semeada dentro de um único ciclo. Quando várias fazendas chegam à mesma conclusão ao mesmo tempo, o mix de culturas do país muda mais rápido do que a indústria de processamento e a infraestrutura de exportação conseguem acompanhar.

Seca na UE e na Turquia abre uma janela

Bissetaiev avalia que se abre uma janela de oportunidade para os produtores cazaques na Europa. A seca na União Europeia e na Turquia criou um déficit de grãos, afirma, enquanto o clima do Cazaquistão e as tecnologias em uso permitem produzir com teor mínimo de produtos químicos, um atributo muito valorizado no mercado europeu.

O argumento se apoia em qualidade e não em preço, ou seja, na base oposta àquela em que o trigo russo compete. Ele também implica canais de venda mais longos e exigentes: os compradores europeus de grão com baixa carga química trabalham com especificação, documentação e análises, não com volume no mercado à vista.

Calor de julho e retorno menor dos insumos

O clima complicou a safra. Em julho, o calor acima de 35 graus e a ausência de chuvas interromperam o crescimento das lavouras e destruíram bactérias benéficas do solo, informa o Pravda.ru, e também atingiram fazendas que usam tecnologias agrícolas modernas.

As expectativas financeiras caíram junto com a perspectiva de colheita. Damir Kalbybaiev, diretor da Biotix Engineering, observa que no ano passado o lucro do tratamento de sementes chegou à relação de 1 para 13,5 tenges, enquanto a previsão realista para esta safra fica entre 1 para 3 e 1 para 4 tenges, cerca de três a quatro vezes menos.

  • O trigo mole foi a única cultura deficitária do portfólio da Eurasia Farm Innovations em 2024 e ficou de fora em 2025.
  • As temperaturas de julho acima de 35 graus, sem chuva, interromperam o crescimento das lavouras e mataram bactérias úteis do solo.
  • O tratamento de sementes rendeu 1 para 13,5 tenges no ano passado; nesta safra espera-se de 1 para 3 a 1 para 4 tenges.
  • A seca na União Europeia e na Turquia criou o déficit de grãos que os produtores cazaques miram.

Nenhuma medida de política pública, tarifa ou restrição à exportação é citada em relação a essa mudança: trata-se de uma realocação no nível das fazendas, movida pela rentabilidade relativa. Para importadores e processadores, a consequência é de composição e não de volume total: menos trigo mole cazaque para os compradores regionais tradicionais e mais trigo duro em busca de um caminho para a Europa.

Análise completa do mercado

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