África do Sul reduz previsão de exportação de citrinos após cheias e perturbações no Médio Oriente
O setor sul-africano de citrinos reduziu a previsão de exportação para 2026 de 209,4 milhões para 205,3 milhões de caixas de 15 quilogramas. Cheias, congestionamento portuário, perturbações no Médio Oriente e custos de transporte mais altos pesam sobre a campanha.
Previsão cai, mas recorde continua possível
A Associação de Produtores de Citrinos da África Austral reduziu a previsão sul-africana de exportação para 2026 de 209,4 milhões para 205,3 milhões de caixas de 15 quilogramas. A revisão retira 4,1 milhões de caixas ao volume esperado, perante danos meteorológicos, limitações logísticas e condições menos favoráveis em importantes mercados externos.
Apesar do corte, as exportações ainda poderão estabelecer um recorde. A Ecofin Agency informou que a África do Sul exportou 203,4 milhões de caixas em 2025, quando ultrapassou a Espanha como maior exportador mundial de citrinos. A EWN citou números ligeiramente arredondados do diretor de operações da associação, Paul Hardman: cerca de 204 milhões de caixas na campanha anterior e pouco mais de 205 milhões em 2026. Embora exista uma pequena diferença de arredondamento, ambos os relatos colocam a previsão atual acima dos embarques do ano passado.
Cheias afetam duas grandes regiões produtoras
A Ecofin Agency, citando informações divulgadas pela Reuters, afirmou que as cheias graves nas províncias do Cabo Ocidental e Cabo Oriental motivaram a revisão. As duas regiões representam, em conjunto, quase 45% da produção sul-africana de citrinos. As inundações interromperam a colheita, reduziram a produção e dificultaram o transporte da fruta durante a campanha de exportação.
O congestionamento portuário acrescentou pressão às cadeias de abastecimento. Os atrasos são particularmente críticos para citrinos frescos, pois viagens mais longas podem prejudicar a qualidade e reduzir o período restante de comercialização. A indústria transformadora local está a absorver tanta fruta excedente quanto possível, disse Hardman à EWN, criando um destino alternativo para os produtos que não podem ser exportados como previsto.
Rotas e procura do Médio Oriente sob pressão
O Médio Oriente recebe normalmente cerca de 19% das exportações sul-africanas de citrinos, segundo a EWN, enquanto a Ecofin Agency estima a proporção em aproximadamente 20%. O conflito regional afetou a procura e o transporte no início da campanha de exportação. Hardman afirmou que muita fruta passa pelo estreito de Ormuz e é preparada especificamente para compradores do Médio Oriente, dificultando o seu rápido redirecionamento para outros mercados.
As rotas alternativas acrescentam algumas semanas ao tempo de entrega, segundo Hardman, elevando os custos e os riscos para a qualidade. A Ecofin Agency também informou que as tarifas de transporte marítimo aumentaram acentuadamente. Os limites aos preços de retalho em alguns mercados do Golfo restringem a capacidade dos exportadores de transferir esses custos logísticos para os clientes. A EWN acrescentou que os produtores enfrentam preços mais baixos, uma taxa de câmbio desfavorável e novas tarifas dos Estados Unidos. Hardman espera que alguns produtores não obtenham lucro nesta campanha, apesar de um possível aumento do volume total exportado.
Regras europeias aumentam os custos
A Europa, maior mercado dos citrinos sul-africanos, apresenta outro desafio regulatório. Desde 2022, a União Europeia exige protocolos de tratamento a frio para reduzir o risco da falsa traça. A fruta tem de permanecer a temperaturas muito baixas durante períodos prolongados, obrigando a investimentos adicionais em refrigeração, monitorização e armazenamento. A África do Sul também contesta as regras europeias sobre a mancha negra dos citrinos, que resultaram em inspeções mais rigorosas e maiores exigências de pulverização.
O setor acompanha ainda o alinhamento regulatório previsto entre a UE e o Reino Unido. Desde o Brexit, o quadro britânico tem sido mais flexível para os citrinos sul-africanos, mas Londres e Bruxelas trabalham desde 2025 na harmonização das regras relativas a plantas, animais, alimentos e rações. A implementação é esperada a partir de meados de 2027. Os produtores receiam que as exigências europeias mais rigorosas sejam estendidas ao mercado britânico, acrescentando custos e riscos de conformidade depois de uma campanha de 2026 já difícil.