Exportações agrícolas da África do Sul sobem 10% e chegam a US$ 4,1 bilhões no segundo trimestre de 2026
As exportações agrícolas da África do Sul somaram US$ 4,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, levando o primeiro semestre a US$ 7,8 bilhões, 11% acima de 2025. A África absorveu cerca de 40% dos embarques e as vendas aos Estados Unidos saltaram 56% ante o trimestre anterior, após a tarifa cair de 30% para 12,5%. A carne bovina segue limitada pela febre aftosa.
As exportações agrícolas da África do Sul cresceram 10% no segundo trimestre de 2026, para US$ 4,1 bilhões, prolongando o início de ano forte do setor agropecuário do país. Os números foram divulgados por Wandile Sihlobo, enviado presidencial para Agricultura e Terras, e reportados pelo Farmers Review Africa.
O segundo trimestre veio depois de um primeiro trimestre já sólido e elevou as exportações agrícolas do primeiro semestre de 2026 a US$ 7,8 bilhões. “São 11% a mais do que no primeiro semestre de 2025”, disse Sihlobo, que classificou o desempenho do ano como “razoavelmente bom”. Ele ligou o resultado tanto à safra quanto ao acesso a mercados: “O ponto central é que, também na produção, tivemos uma temporada excelente.”
Frutas sustentam a pauta e a aftosa trava a carne bovina
A pauta exportadora seguiu diversificada, com as frutas respondendo por parcela relevante dos embarques. Sihlobo citou cítricos, maçãs, peras, tâmaras, abacaxis, abacates, goiabas e mangas entre as frutas enviadas ao exterior. Outras linhas importantes foram:
- milho
- vinho
- lã
- carne, sobretudo ovina
A carne bovina foi a exceção. Os embarques seguem limitados pela febre aftosa, com a vacinação em andamento e mercados reabrindo apenas de forma gradual. “Desta vez não estamos vendo muita carne bovina. Parte da razão é que ainda estamos enfrentando a febre aftosa”, afirmou Sihlobo.
África fica com 40% e embarques aos EUA saltam 56%
A África continuou sendo o principal destino, com cerca de 40% do total exportado no trimestre. Entre os produtos enviados a outros mercados africanos estavam milho, maçãs, peras, cítricos, açúcar e alimentos processados.
Ásia e Oriente Médio formaram juntos o segundo maior mercado, com cerca de 24% das exportações, comprando carne ovina, frutas e vinho. Só as vendas ao Oriente Médio subiram 1%, para cerca de US$ 332 milhões, apesar do conflito e das interrupções na região. “Fiquei surpreso ao ver que as exportações agrícolas sul-africanas especificamente para o Oriente Médio de fato subiram 1%, para cerca de US$ 332 milhões”, disse Sihlobo.
A União Europeia foi o terceiro maior mercado regional, com cerca de 21% das exportações do trimestre, principalmente frutas e vinho. As Américas, incluindo Estados Unidos e Canadá, ficaram relativamente estáveis, em torno de 5% do total.
Dentro dessa fatia, os Estados Unidos registraram o movimento mais forte: as exportações agrícolas sul-africanas ao mercado norte-americano subiram 56% no segundo trimestre em relação ao primeiro. Sihlobo atribuiu o avanço em parte às tarifas menores e em parte à disponibilidade de produto. “Acredito que a mudança das tarifas, o ajuste de 30% para 12,5%, ajudou bastante a manter maior acesso ao mercado dos Estados Unidos”, afirmou.
Importações sobem 12% e superávit chega a US$ 2,1 bilhões
As importações agrícolas somaram cerca de US$ 2 bilhões no segundo trimestre, 12% acima do mesmo período de 2025. Trigo, arroz, óleo de palma e carne de frango concentraram a maior parte do volume. Sihlobo observou que a África do Sul produz parte dessas mercadorias, mas ainda depende de importações para atender ao consumo.
O resultado foi um superávit comercial agrícola de cerca de US$ 2,1 bilhões no trimestre, alta de 9% na comparação anual. Segundo Sihlobo, os números refletem uma economia agrícola voltada à exportação, na qual cerca de metade do que o país produz é embarcada para fora.
Portos e novos mercados em foco
Sihlobo resumiu a etapa seguinte como uma questão de manter e ampliar: “A pergunta agora é: como mantemos e preservamos esses mercados? E, ao mesmo tempo, como abrimos novos mercados de exportação?” Ele apontou a busca por novos destinos e a negociação de acordos de livre comércio como prioridades de política, acrescentando que uma integração regional mais profunda exige resolver os entraves comerciais dentro da África Austral.
A logística segue decisiva para sustentar os volumes. Sihlobo destacou a eficiência portuária, considerou animadoras as melhorias em Durban e na província do Cabo Oriental e pediu a continuidade da cooperação entre o setor privado e a Transnet.